quarta-feira, 5 de maio de 2010

Macunaíma: Herói sem caráter.'






Os brasileiros, infelizmente, herdamos uma melancolia característica dos portugueses. Os brasileiros estávamos cansados de picaretas almofadinhas. Collor. Estávamos cansados de ver o FHC vender tudo alegando Liberalismo econômico. Os Brasileiros estávamos desesperados ao ver Brizola denunciar, gritar, esbravejar contra FHC e ninguém fazer nada. Os brasileiros precisávamos de alguém que pudesse fazer diferente. Alguém que se mostrasse diferente e contrário às práticas dos anteriores.

Os brasileiros precisávamos de um herói. Um nacionalista e estadista, como foi Getúlio, porém não poderia ser um ditador. Precisávamos de um cara popular no poder, pra mostrar pra esses sociólogos e almofadinhas que um torneiro mecânico faria diferente.

Os brasileiros sempre precisamos de um herói pra alguma coisa. Assim foi com Pedro I e a independência. Assim foi com Getúlio e o nacionalismo, o petróleo. Até Collor de Melo teve ascensão por causa do nosso medo e da necessidade de um herói. FHC foi o herói que os brasileiros aceitamos. Foi o herói que ajudou a combater a inflação. Mas foi o herói que, desesperada e despreparadamente, vendeu as nossas empresas a preço de banana. Privatizou. Mas FHC preparou a economia, arrumou a cama pro Luís Inácio deitar e rolar.

Mas era um heroísmo insuficiente. Precisávamos de algo melhor. Este algo era Luís Inácio. Até então nunca experimentado no poder presidencial. E o povo heróico elegeu Luís Inácio. Um mar vermelho se espalhou pelo Brasil e ao fim da apuração, a certeza de que finalmente a esperança venceu o medo.

E Luís Inácio era a nossa maior esperança. Em Luís Inácio víamos as realizações que os outros não fizeram por medo. Luís Inácio deu início ao que seria uma revolução social. Ampliou o bolsa escola e implantou o fome zero. E os brasileiros seguiam esperançosos e sem medo.

Finalmente alguém pra investir no social. Entretanto, foi um investimento social sem incentivos. Os brasileiros tinham uma merreca no fim do mês, mas não tinham um emprego. Mas Luís Inácio não desistiu e chamou pro ministério da Educação um outro herói, o cara mais engajado em solucionar os problemas da educação deste país. Luís Inácio pegou pra sí o Senhor Cristóvam Buarque.

Luís Inácio criou quase quarenta ministérios e tivemos a esperança de que quanto mais ministros mais gente pra olhar pelo Brasil. Infelismente não foi isso o que aconteceu. Os ministros foram chamados pra não ficarem ao relento. Pra não ficarem desempregados. Não trabalharam. Não trabalham. Na cultura, uma grande esperança. O herói tropicalista Gilberto Gil. Estávamos bem demais. Na educação tínhamos Cristóvam e na cultura o Gil. Era o sonho de Brizola prestes a se realizar. Teríamos um país inudado de consciências esclarecidas. Mas não foi o que aconteceu. Cristóvam foi demitido e Gil ficou seis anos e pouco sem fazer nada. Nem cultura, nem mentes esclarecidas.

Mas mantínha-se a esperança. Mas surgiu o mensalão. Os casos de corrupção começaram a vazar e começamos a ver a verdadeira a face dos heróis que poderiam mudar este país. Eram heróis sem caráter. Eram Macunaímas. Máfia de lixo, bingos, voto de cabresto no congresso, compra de deputados, dólar na cueca. Ninguém viu nada, ninguém sabia de nada. E o medo virou o jogo e pôs de lado a esperança. Luís Inácio criou uma expectativa muito grande e não mudou. Seguiu o modelo econômico anterior que por nossa sorte e competência do corrupto Pallocci e do senhor Guido Mantega tem dado certo.

O que assusta nessa economia estável é que ainda não há uma distribuição de renda dígna dos heróis que trabalham o mês inteiro e recebem uma merreca de salário. Brizola faz muita falta. Mas o povo brasileiro faz mais falta ainda, afinal, não aprendemos a ser nossos próprios heróis.

Em 2006, tínhamos Heloísa Helena, mas o povo estava cansado de heróis. E numa briga entre o atual e o modelo anterior o povo preferiu Luís Inácio.

Hoje nossa esperança é um sorvete em pleno sol. O que fizeram de nossa fé? De nossa esperança? Isso só vai mudar no dia em que formos nossos próprios heróis. Ainda há tempo de Luís Inácio iniciar o processo de salvação da educação, para que possamos ter um país inundado de mentes esclarecidas. Nestes poucos meses que ainda restam de governo, Luiz Inácio ainda tem tempo recuperar alguns esperançosos. Luís Inácio precisa, no entanto, investir em educação. Isso é o mais importante. Isso é longo prazo. O senhor Mangabeira Unger deveria falar isso ao Luiz Inácio, afinal mangabeira ganha pra apresentar projetos a longo prazo que possam ajudar a população.

Caso não mude seu estilo e não invista em educação, Luiz Inácio será de todos os heróis o pior. Será o Macunaíma. O herói sem caráter.


Que você tenha uma boa noite e uma excelente semana!!
Abraços!
Gildean Tiago...

P.s.: ...Mas as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer...

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