domingo, 1 de maio de 2011

'Coração de Boêmio não tem dona'





Tinha pra mais de dois dias que ele já não ia mais visitar a namorada. Ela já estava devidamente zangada e desconfiada, afinal ele não era de confiança. Pelo contrário, ele era contraditório e cheio de desculpas esfarrapadas. De aulas extras na Universidade a trabalho 'valendo ponto' na casa de algum amigo. Não era nada disso. Ele saia era pra vadiar. Era morto e vivo nas festas e de vez em quando nas calouradas da outra universidade onde estudava.

Era frequentador assíduo de qualquer barzinho que vendesse cajuína e whisky. Mas se não tivesse nenhum dos dois, se contentava com uma cerveja. Em todo caso, até pinga ele bebia.

Foi uma vizinha fuxiqueira que disse pra ela: “Mulher irmã, larga mão desse sujeito. Ele não vale nada. O mundo tá assim de homem e tu se humilhando por esse sujeito que não tá nem aí pra ti”.

Ela sabia que o mundo estava lotado de homem, mas nenhum era o que estava em seu coração. Era do sujeito contraditório e boêmio que ela gostava.

Ela o amava assim e pronto. Nem ao pai, nem à mãe e nem aos irmãos, ela dedicava amor tão grande como o que devotava a ele. Era Deus no céu e ele na Terra...

Mas depois de mais de uma semana em que ele não a procurava as coisas foram mudando. Era Deus no céu e ele... Bem, pra ela ele poderia estar na terra dos pés juntos.

Revoltou-se, largou mão de esperá-lo e saiu pras festas e já na primeira saída se engraçou de um cara romântico e certinho que praticamente adivinhava tudo o que ela pensava.

Não brigava e só bebia se fosse com ela. Tudo estava aparentemente bem, mas, como dizem, ‘as aparências enganam’ e ele não era tudo o que ela esperava. Ele passava era longe de compreendê-la e ser a pessoa que ela queria. Sem contar que a criatura não fazia aquilo como prometeu.

O boêmio contraditório era quem sabia satisfazê-la. E ela foi atrás e pediu que voltasse, mas o Boêmio não quis. Não era homem de segundas chances, embora já tivesse pedido e ‘ganhado’ mil segundas chances. Àquela altura pouco importava, e ele disse não. Não quis mesmo.

P.S.: E ela foi embora com a certeza de que o mundo está mesmo cheio de homens, mas nenhum é o que está em seu coração.

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