terça-feira, 26 de julho de 2011

Pra dizer adeus!




Luiz era um Nazariense dos bons. Dos brutos. Simples, humilde e possuidor de todas as características do bom e respeitado caboclo.

Desde muito cedo meu pai fazia questão que meus irmãos e eu visitássemos Luiz. A ligação entre eles era muito forte. A visita à casa do Luiz, que era simples hábito, tornou-se coisa natural. As idas à Nazária tinham que ter escala na casa de Luiz.

Meu pai disse várias vezes que Luiz, seu tio, era como se fosse um pai. Meu avô paterno faleceu jovem e Luiz foi um dos que cuidaram do meu pai. Talvez por isso meu pai sempre falasse que deveríamos respeitar Luiz.

Luiz era um cara bom. Respeitado e respeitador. Era humilde. Fico comovido de lembrar-me das visitas que fazia a ele. Mangas, goiabas, frutas do conde, histórias, estórias, conselhos e muito café.

Ultimamente, Luiz estava com o andar cansado e com a vista ruim, mas não se entregava. Era humilde e forte. Um misto de tio e avô. Ele era um bom contador de histórias. E estórias.

Luiz nos deixou ontem, 25 de julho. Luiz deixou filhos, netos, irmãos, sobrinhos e amigos. Luiz deixou também uma imperecível e imorredoura saudade.

Luiz era humilde. Simples e forte, lutou até o fim. Até onde pôde, até que um dia chegou um momento-limite. Luiz era um cara legal. Um velho legal e do bem. Um raro misto de tio e avô. Luiz era um homem de primeira grandeza.

PS: Luiz, como escreveu Ariano Suassuna, cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.

Um comentário:

Raphael CS disse...

meu sinceros sentimentos...
e meus parabéns por descrever tão bem a figura de um caboclo... tbm conheço verdadeiros caboclos.. e admiro muito este personagem do cenário nordestino!
abração do seu mais novo seguidor! ;D