segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Moça Bonita IV




Reencontro e chegada sem pontualidade. Isso porque Guilherme não era o cara mais pontual do mundo. Aliás, até que ele teve receio de que essa primeira impressão de ‘impontualidade’ ficasse.

Carolina chegou na hora marcada. Estava lá quando ele chegou. O carinha da churrascaria cantava uma música do Raimundo Soldado. “Agora, a festa vai começar e nós vamos dançar até a madrugada chegar.” Dançar seria difícil, Guilherme não sabia.

Ele cerveja, ela Campari. Falaram um pouco de suas vidas, dos estudos, das perspectivas.

Ela vestia um vestido florado, falava da universidade, da vontade de ter a discografia do Caetano Veloso, seu quase herói, e da vontade de viver um belo romance.

Ele falava de Torquato Neto, de música popular, do charme das mulheres de vestido florado, do sonho de ir pro Recife ganhar a vida e ser feliz e da perspectiva de viver um longo romance.

Noutras palavras, eram muito românticos.

Naquele instante, o carinha cantava ‘sem razões’, da Patrícia Mellodi. “Talvez tenha sido o cabelo, a embriaguez, o avançado da hora”, ele tentava encontrar razões para tanto encantamento diante de Carolina.

Ele sabia que estava se apaixonando. Os olhares, os beijos, o falar, o convite para um novo encontro, tudo evidenciava a “apaixonação”.

Ainda não sabiam direito o que havia entre eles. No fundo, Carolina temia que fosse apenas entusiasmo, até mantinha a calma. Era PhD em desilusões de entusiasmo, evitaria se entregar demais. Pelo menos resistiria enquanto pudesse, não apostaria tão alto.

Já era um pouco tarde. Era quinta feira e tinham que trabalhar no dia seguinte. Enquanto seguia em direção ao carro, Guilherme cantarolava a música do Mop Top, que o carinha da churrascaria cantou há pouco tempo: “Eu juro não sou mais assim com medo de me envolver, com medo de me entregar”.

Novos encontros viriam. Festas, conversas, beijos, enfim, poderiam até viver o belo romance que ambos queriam. Deixou-a em casa e foi embora ao som de Caetano Veloso, o quase herói de Carolina.

PS: “Sem correr, bem devagar, a felicidade voltou pra mim. Sem perceber, sem suspeitar, o meu coração deixou você surgir.” (Caetano Veloso)

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