segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quando Nasci



Quando nasci, um anjo vagabundo, desses que vivem perambulando por aí, me disse: “Um amor vai te surpreender”. Desde então vivo a esperar por esse amor surpreendente. Desde então me pergunto se devo acreditar em anjos. Vagabundos ainda por cima.


Acontece que parece que esse anjo vagabundo tava me zoando. Tirando uma com a minha cara, saca? Desde então me pergunto que tipo de surpresa será. E se for surpreendentemente ruim?

Ora! Era um anjo vagabundo, com bafo de cachaça e que falava frases desconexas. Uma quase mistura de Luiz Inácio com Dilma. O senador Mão Santa em pessoa. Digo, em anjo! Dá pra acreditar?

Tinha aparência de ser um chato d’um querubim. Mais chato que o anjo da música do Chico Buarque. Melhor seria se tivesse dito apenas pra ser gauche na vida ou pra eu desafinar o coro dos contentes. Até mesmo dizer que estava predestinado a ser errado. Seria mais fácil.

Mas não, tinha de falar em amor surpreendente, dizer “vai, bicho, amar feito louco até que um dia lhe apareça um amor surpreendente. Um amor vai te surpreender!”. Agora estou a esperar sem saber se é verdade. Ou se era apenas um anjo safado querendo tirar uma com a minha cara.

PS: “Quando eu nasci um anjo louco, muito louco, veio ler a minha mão. Não era um anjo barroco era um anjo muito louco, torto com asas de avião.” (Torquato Neto)

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