segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vai!





 Os que passavam pela rua podiam ouvir a briga, os gritos e os choros. Ali, naquela casa, se desenhava mais um fim de um grande amor. Suposto grande amor. Aparentemente grande amor. Apenas o homem falava, a mulher ouvia e chorava. Parecia não saber o que dizer. Parecia sem razão pra dizer alguma.

 - Vai! – dizia ele - Esquece a esperança de que tudo há de se ajeitar. Não quero as sobras do teu amor, não quero ser sombra do teu amor. Não quero as sombras do teu amor.

- Vai! – continuava - Some! Diz que vai por aí, mas diz sem olhar nos meus olhos, teu olhar é por demais avassalador e poderia me tomar pra ti.

- Conta aos outros uma mentira qualquer, diz qualquer coisa que não faça deles teus inimigos. Inventa alguma estória como as que você contava pra mim .Diz a todos que fui que errei, o ódio cairá sobre mim e você continuará santa!

- Vai! Pode ir! Leva o CD do Chico que eu te dei. Vai precisar dele,  precisar mais do que eu. Ouça o samba do Grande amor. Deixe o espelho, nos meus olhos vejo você e quero refletí-los no espelho para te ver. Jogue sobre a cama o teu retrato que tirei, quero lembrar-me de ti e olhar a boca que beijei. Jogue também o vestido das núpcias, quero sentir teu cheiro e lembrar-me das travessuras.

- Não olhe nos meus olhos, estou ficando arrependido. Largue o meu terno, não jure amor eterno, não sou mais o teu marido. Pegue este papel velho, nele está seu endereço, é a rua da amargura, onde pagará o preço pelo meu sofrimento, pelo meu desalento. Onde sofrerá por ter desonrado o nosso lar. Caso queira, vá pra onde todos te olharão, talvez seja, novamente, bem vinda nas festas do casarão, de onde tirei você pra lhe dar honra e amor.

- Saiba que pra onde você for, estarei nos teus sonhos pra lembrar qual caminho é o mais certo!

P.s.: "Eu tentei de todo jeito, o mês inteiro te mandei sinais, eu falei a tua língua, a minha língua e outras línguas mais. Eu sei, o mundo não é perfeito." (Visconde)

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