terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vai, diz assim








Lembra quando eu te ajudava a ficar com aquelas menininhas chatas do meu bairro? Pois é, rapaz, agora sou eu que estou precisando de você. Preciso que você ligue pra ela. Isso mesmo!

Liga e diz que ela é a namorada do fã do Edmundo e que eu sou o fã do Edmundo. Diz pra ela que tô com uma saudade 'filha da puta' e que ainda não a esqueci desde o dia 23.

Diz que aquela segunda chance não valeu e que por isso preciso daquela segunda chance, pela milésima vez. Avisa-a que se eu a vir por aí na noitada dançando e se acabando de rir e ela não me notar, eu vou bater palmas e fingir que sou turista.

Avisa que ninguém é mais sentimental que eu, please! Pelo amor de Deus.

Diz que por trás de um eu triste, há sempre ela tão feliz e me dando garantias de que tudo mudará. E diz que, pela milésima vez, eu preciso daquela segunda chance. Diz pra ela que não acredito em papai Noel e nem no Lula e nem que posso esquecê-la.

Diz que só acredito no que ela me disse. Diz a ela que me viu chorar e que não estava muito bem. Avisa lá, avisa lá ô, ô! Avisa lá que por ela eu vou a pé de Teresina a Salvador com escala em Aracajú e no Rio Grande do Sul. Tudo isso pelos tetos das casas e dançando tango.

Fala pra esta criatura que eu estou no tapete atrás da porta. Fala pra ela que do dia 23 pra cá eu tropecei em todas as pedras, choveu em todas as festas que eu fui e diz que enfrentei filas enormes. Diz pra ela que eu tô ouvindo “Pelos pátios partidos em festa”, da Validuaté, sem parar.

“Eu tenho pra mim que aquele amor não era só pra dizer, era nada.” (Validuaté)

Fala pra ela que eu não sei mentir a ponto de dizer que somos apenas bons amigos e que eu peço aquela segunda chance, pela milésima vez.

Liga pra ela e diz que ontem quase não dormi pensando no que fazer pra acordar mais feliz e diz que meu dia não nasceu feliz.

Manda um telegrama ou um bilhetinho e diz que por ela eu vou pro Afeganistão e depois invadir o Iraque, enrolado em uma bandeira dos Estados Unidos e, em seguida, irei celebrar Bush lá na Bolívia e Venezuela durante a visita do Armadinejad á América Latina.

Diz que corro todos os riscos por ela e que amanhã bem cedo eu vou devolver o retrato que ela me deu, só pra ter um motivo pra reencontrá-la. Diz que não rasgarei as cartas e não mais pagarei os extratos do Itaú e nem os extratos de tomate que comprei fiado no comércio da esquina, enquanto ela não me aceitar de volta.

Diz que não sou poeta, não estou feliz e já amei na vida e ainda amo, pois não a esqueço um só minuto. Fala que o meu amor e o dela ainda não tiveram as coisas boas da vida, mas já encomendei e em breve aproveitarei, pela milésima vez, a segunda chance.

Diz pra ela que só deixarei de amá-la quando o Zé Dirceu parar de mentir, o Mano Meneses for campeão pela seleção e quando algum time do Piauí chegar á primeira divisão de futebol do campeonato brasileiro.

Diz pra ela que parei de mentir e agora eu sou um cara correto. Vai e diz que eu mudei. Fala que de uns dias pra cá eu tenho sido um anjo, um santo, um querubim, um príncipe, olha, o papa perto de mim é ateu e herege.

PS: “Vai e diz, diz assim: como sou infeliz no meu descaminho, diz que estou sozinho e sem saber de mim.”

P.S.²: Ao som de 'Desalento' (Chico Buarque); 'Agonia' (Oswaldo Montenegro) e '50 Receitas' (Leoni).

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