terça-feira, 13 de março de 2012

Leia depois de queimar e rasgar






Por alguns dias, eu acordava com aquela música do Herbert Viana que você cantava na cabeça. Pensei que seria pra sempre assim, mas isso passou. De uns dias pra cá nem lembro mais dessa música.

“Não quero nada que não venha de nós dois,
Não creio em nada do que eu conheci antes de conhecer.”

Não, eu não me arrependo de você. Aliás, por esses dias tenho cantarolado canção do Caetano com esse nome, “não me arrependo”. A mais pura verdade. A mais puta verdade.

Ah! Eu já desocupei o coração. Talvez não tenha sido totalmente desocupado, vai ver é possível encontrar você em alguma esquina ou beco desse coração cansado de frustrações. Mas vou desocupando aos poucos ou aos muitos como foi no começo.

Essas pessoas novas que colocamos em nossas vidas parecem ter feito algum bem pra nós. Novos amigos, novos lugares, que bom que temos experimentado os sabores da mudança. Fico feliz por você, de verdade, embora tenha dito aquele dia algo parecido com um “então vá, não quero prender você, vá se foder!”. Desculpas, eu me exaltei, não me contive. Você estava irritante pra caramba, parecia tensão de fim de mês, sei lá. Dias antes, talvez já sob efeito dessas tensões, cê mandou um “eu te amo, porra!” que eu não esquecerei nunca.

Fui duro com as palavras, mas você não deixou por menos, começou a me maldizer por aí, por ali, por acolá, por todos os lugares, pra todos os meus amigos, inimigos e desconhecidos. Engraçado ou absurdo é que depois eu voltei pra casa e como se fosse um menino, desses bem chatos quando não conseguem o que querem, eu comecei a lamentar, quase choro. Tentava entender porque um casal acaba.

Quando fomos saindo assim um do outro aos poucos e para sempre, eu comecei a preparar um lugar pra você em alguma esquina do meu coração. Saquei naqueles instantes em que nos ausentávamos que eu precisaria me preparar para desocupar meu coração, pois a qualquer momento nosso romance iria pelos ares. E pelos bares. “E pra curar a tristeza só mesa de bar.” Mentira! Curei minha tristeza em casa, tomando café e relendo os e-mails que você mandava e as cartas que eu não mandava e ouvindo Leoni e Ivan Lins.

Meus lamentos durante algum tempo foram em demasia. Confesso abestalhado que não sei se eu sofria e lamentava muito por amor ou se era remorso, egoísmo e raiva por tudo o que nós combinamos e não fizemos. Poxa vida! Uma casa no campo, onde faríamos textos rurais. E agora, os sonhos, cadê? Devemos realizá-los com outras pessoas.

Veja só, dia desses tive uma saudade filha da puta de você, foi no tempo em que ainda andava com aquela música na cabeça. Passei o dia lendo aquele livro que você me deu e ouvia, insistentemente, a música do Herbert Viana, em que ele fez dueto com a Daniela Mercury. Foi numa quarta feira de cinzas, parecia tudo cinza sem você. Pensei que fosse uma recaída, desliguei os telefones, desconectei internet, fiz qualquer coisa que me impedisse de entrar em contato contigo. Por alguns instantes, pensei em livrar-me dos fósforos que era pra não tentar sinais de fumaça. Ou sinais de fogo como você cantava imitando a Preta Gil.

Sei nem porque escrevo isso. Sei nem porque escrever sobre você. Talvez o nome normal disso seja saudade. Talvez, veja bem, eu não queira admitir, mas o nome normal disso só pode ser saudade. Não é saudade daquelas que se sente quando se tem um grande amor ausente. Não, não é isso, é uma daquelas saudades de tempos bons, de coisas boas, das reuniões com os amigos, das músicas que a gente ouvia e ria. Talvez esteja sentindo falta de boa companhia e dos teus gritos quando vinha a tua tensão de fim de mês.

Ah! E o silêncio que quer perguntar: Cê ainda anda por aí a me maldizer? Se sim, diga que estou ainda pior: meu lar é um botequim. Pode dizer, exagere um pouco. Talvez seja saudade de você. E talvez esteja cheio dessa gente besta de quem, ainda bem!, Consegui me afastar.

P.s.: Leia depois de rasgar e queimar!

Nenhum comentário: