sábado, 12 de maio de 2012

Helena, Jurandir e o tempo






Um tempo! Jurandir pediu um tempo e o mundo de Francisca Helena desabou. Essa coisa de pedir tempo é coisa de louco pra quem tem juízo. Ele disse que queria pensar na vida e se entender consigo. “Tu tá é feito besta com essas conversas. Toma rumo, homem. Coisa é essa de tempo?”, dizia Francisca Helena à beira de uma tristeza abissal.

Segundo Jurandir, sua intenção era fazer uma faxina na desordem, dar um jeito em sua vida, pois há tempos parecia viver uma ambientação de “Why does it Always rain on me”, do Travis, com as coincidências de que ele não conseguia mais dormir à noite de tanto que estava com a cabeça pelas tabelas e também porque ele havia mentido aos dezessete.

Três dias depois do tal tempo, Jurandir percebeu que estava há três dias cantarolando quase sem parar uma canção do George Harrison, que falava algo sobre não saber se o seu amor iria crescer. Something era o nome da música. “George Harrison levava aqueles moleques nas costas”, dizia baixinho para si mesmo enquanto decidia se comprava espetinho de frango ou se fazia um sanduíche. Meia hora depois estava comendo miojo e escrevendo um conto e pensando na vida.

O quarto de Francisca Helena estava tão desarrumado quanto sua vida depois da conversa fiada de Jurandir sobre essa coisa de pedir tempo. Francisca Helena vivia triste, olhando sem olhar, distraída e morrendo de medo de estar sendo traída. “Eu mato aquele traste, mermã, se ele aparecer com essa coisa de traição”, dizia – na maior das tristezas abissais – para sua vizinha fuxiqueira que foi até à casa de Francisca Helena pedir uma sandália emprestada. Ela emprestou uma que foi presente do Jurandir.

Cinco SMS’s e vinte e cinco chamadas perdidas depois Jurandir resolveu entrar em contato com Francisca Helena. “Eu não vou negar que sou louco por você, tô maluco pra te ver, eu não vou negar”, dizia o SMS’s. Ele enviou sorrindo se achando a mais brega das criaturas. Depois ligou pra dizer que não negaria, mas ainda não queria vê-la.

Seis dias se passaram e Jurandir deduziu que Francisca Helena poderia estar de encantamento para os lados de um sujeito muito distinto chamado Jacinto. Ou era Alcebíades? Não sabia. Enfim, disseram que esse sujeito estava a visita-la constantemente. Não deu outra: Jurandir foi até a casa de Francisca Helena, disse ter percebido o quanto estava errado com essa coisa de pedir tempo, pediu desculpas e disse que iria leva-la pra um jantar no restaurante que ela quisesse e depois iriam pra casa dele onde fariam travessuras.

Sete anões! Isso mesmo, sete anões estavam na porta da casa de Francisca Helena quando ela terminou de se arrumar pra sair com Jurandir. Os anões cantavam “Please, forgive me”, do Bryan Adams, enquanto Francisca Helena, emocionada, recebia flores do seu amado. As surpresas não pararam por aí. Ele ligou pra uns amigos Mariachis que foram recepciona-los no restaurante. Eles cantaram “besame mucho!” e o casal teve uma linda noite de reconciliação. Na volta pra casa, Jurandir entregou o carro para que Francisca Helena dirigisse e ele sentia que estava em uma ambientação de “Wonderful Tonight”.

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