segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por você (ou "O amor pode dar certo")





Por você eu atravessaria a ponte do Tancredo Neves a pé. E olha que morro de medo de ponte e tudo ficou ainda pior depois da enchente que deixava o solo (?) da ponte a pouco menos de um metro da água do rio.

Por você eu entraria em um terreno cheio de galinhas chocas pra pegar um caju pra você. Nem preciso falar que tenho mais medo de galinha choca do que de um revólver apontado pra minha cabeça. Tem sido assim há mais de 15 anos, quando uma galinha correu atrás de mim, certamente pra matar-me. Eu era apenas uma criança indefesa com o filhote da galinha em uma das mãos.

Por você eu enfrentaria um bando de zumbis, daqueles que fazem flash mob em um ônibus e cantam YMCA enquanto atacam as pessoas, embora não seja muito comum aparecerem fazendo esse tipo de coisa. Aliás, o fato de não ser muito comum faria com que poucos tivessem coragem de enfrentar essas criaturas. Por você eu enfrentaria numa boa. Na verdade, não seria numa boa, mas enfrentaria.

Por você eu não votaria no ex-governador Mão Santa. E cê deve saber que voto nele desde quando votei pela primeira vez em 2006 e que o defendo em toda e qualquer situação e que em 1998 eu saí de um comício querendo ser ele. Seria muito difícil não votar no ex-governador Mão Santa.

Por você eu largaria mão da idéia de contratar Mariachis pra fazerem serenata na porta da tua casa cantando músicas do grupo Roupa Nova e “She”, do Elvis Costello. E olha que esse é um dos planos mais ousados de toda a minha vida e venho trabalhando nisso há um bom tempo.

Por você eu dançaria tango no teto do meu vizinho, que é uma das pessoas mais chatas do mundo. Chato mesmo. Mais chato que o Felipe Scolari dando entrevista depois de uma derrota. Mais chato que um Corintiano dizendo que seu time será campeão da Taça Libertadores da América. Mais chato que um discurso do Fidel Castro.

Por você eu deixaria de assistir “O amor pode dar certo” toda semana. Passaria a assistir uma ou duas vezes por mês. Ou três, mas jamais toda semana.

Por você eu deixaria de criticar o segundo governo do Alberto Silva, deixaria de dizer que o segundo governo dele foi a pior porcaria que já apareceu nesse Estado e que o Freitas Neto conseguiu nos livrar de situação ainda pior do que a que vivemos hoje.

Por você eu deixaria de dizer que o Freitas Neto foi o melhor governador dos últimos 30 anos, o que me livraria da “acusação” de que eu sou um fã de oligarcas que destruíram o Piauí. Como se precisássemos de oligarcas depois do segundo governo Alberto Silva. Como se fosse difícil ser o melhor depois do segundo governo do Alberto.

Enfim, por você! Por você eu limparia os trilhos do metrô planejado pelo Alberto Silva.

Por você eu gritaria, pra todo mundo ouvir, de cima de um trio, em pleno carnaval, que você contribui para o meu viver. E que ter você é o meu desejo de viver. Como se fosse músicas do grupo Roupa Nova e Capilé.

Por você eu faria três gols e pediria “Linda demais”, do Roupa Nova, no Fantástico, embora ache uma tremenda bobagem essa coisa de praticamente obrigar um cara a pedir música. Mas eu faria.

P.s.: “Linda, só você me fascina.”

Um comentário:

Cynthia Osório disse...

declaração de amor e de bom-humor. muito bom!