domingo, 19 de agosto de 2012

Futuros Amantes I




Com o olhar de quem chorou, sentou e pediu uma cerveja. Por que um casal acaba? Pensava.
As mãos estavam trêmulas, as pernas pareciam estar sambando. Movimentos involuntários. Nunca antes em sua história de vinte e poucos anos havia terminado namoro igual aquele em que depois de três meses já faziam planos pra vida toda.
Teve ímpeto de tomar um porre, mas logo ponderou. É arriscado demais tomar um porre depois do fim de um namoro. Pensou na possibilidade da embriaguez fazê-lo cair em prantos, ali mesmo no bar. Seria um vexame.
Pensativo, tentava entender porque um casal acaba. Pensou alto demais e uma moça, sentada sozinha na mesa ao lado, disse que em alguns casos, todo fim infeliz não deixa de ser um sinal de incompetência.
Ora, ele não falou em final infeliz. Ficou constrangido com a intromissão da menina da mesa ao lado. “Como se intrometer em meus pensamentos”, pensava. Dessa vez pensou baixo, bom pra evitar mais constrangimentos. Ela perguntou o que aconteceu e se ele queria conversar e sentar com ela. Ele poderia ficar à vontade pra beber a cerveja dele. Ela bebia Campari.
Ele aceitou, não parecia uma boa idéia ficar sozinho naquele bar, embora tenha ido pra lá com o intuito de ficar só e pensar em sua vida. Seu namoro tinha acabado de maneira infeliz e por incompetência. Ele e a namorada ainda se gostavam, talvez ainda se amassem, e apostavam muito nesse namoro, mas acabou. Acabou! Um final infeliz. A incompetência ficou por conta das ausências, da falta de tempo, falta de tanta coisa.
E tudo foi acabando aos poucos, e, de súbito, um foi saindo da vida do outro e o que acreditavam ser para sempre, durou alguns meses. Foram felizes, claro. Muito! Mas nas últimas semanas tudo foi se desgastando.
Com a voz um pouco trêmula, perguntou o nome da garota da mesa ao lado, agora, companheira de mesa. Começaram a conversar, ele explicou o que aconteceu, falou da ex-namorada e da inexperiência em fins de namoros. Nunca havia terminado um namoro daquela forma.
- Das outras vezes dizia um “te cuida”, como ensina Martha Medeiros, e saia em busca de viver minha vida, mas dessa vez não consegui ser assim. Faltou frieza, sobrava amor, talvez. – dizia Pedro aos prantos, por dentro. – Eu estava morrendo de pena de nós dois. Terminamos sem um beijo de despedida, sem um até mais. Por dentro, eu estava em prantos, aflito, mas tive que segurar. – disse Pedro com a voz embargada.
Pedro deixou pra chorar em um banquinho da Avenida Frei Serafim, onde Patrícia e ele ficaram pela primeira vez. Foi depois de uma festa no Clube dos Diários. Uma quarta feira de futebol.
Não era de falar de sua vida, principalmente para pessoas que não conhecia, mas naquele instante precisava conversar com alguém, falar do que lhe aconteceu, talvez ouvir algum conselho interessante ou um convite pra algum lugar, fazer qualquer coisa.
Luana – era esse o nome da garota – quis saber se ele estava a fim de ir pra outro lugar. Artes de Março, talvez. Era dia de uma banda de Pernambuco.
... 
p.s.: Continua.

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