terça-feira, 21 de agosto de 2012

Futuros amantes II





Luana – era esse o nome da garota – quis saber se ele estava a fim de ir pra outro lugar. Artes de Março, talvez. Era dia de uma banda de Pernambuco.
- Banda Seu Chico, de Pernambuco, eles são bons. Cê conhece? Vamos? – disse Luana.
- Sim, conheço! Aliás, alguns dos caras eram da banda Mula Manca. Muito boa também. Eles são bons mesmo. – disse Pedro Lucas, um tanto empolgado por estar com alguém que conhece e gosta de Seu Chico. Feliz coincidência.
- Pois vamos! Festa é o que nos resta! – disse Luana.
Pedro Lucas lembrou-se de já ter ouvido ou lido essa frase sobre festa em algum lugar, não sabia de onde.
- Isso que cê falou agora, “festa é o que nos resta!”, eu já ouvi em algum lugar. Talvez tenha lido. É uma frase banal, mas pra mim ela parece ter algo especial. Não sei onde li. Ouvi, sei lá. – Disse Pedro.
- Eu li em um livro do Ricardo Kelmer. – disse Luana
- Verdade! Também li. Muito bom o livro.
Pagaram a conta e foram para o shopping, onde assistiriam ao show da banda Seu Chico. Pedro sugeriu um taxi. Ou ônibus. Ela preferiu ir a pé. E sua idéia pareceu melhor, caminhariam e teriam mais tempo pra conversarem e descobrirem mais coincidências entre eles.
Luana vestia um longo vestido florado, tinha sorriso largo, sorriso de porta-bandeira. Dava pra fazer um hino com o som de sua risada. Ele era um cara de conversa agradável, universitário e gostava de músicas e escrever. Adepto do romantismo teórico.
Conversaram bastante até o shopping. Riram muito quando chegaram à ponte e Pedro, do alto de seu medo de altura, resolveu chamar um táxi para que pudessem atravessar a ponte. Ele parecia estar encantado com a beleza e generosidade dela. Por alguns instantes nem lembrava mais do fim de seu namoro. Melhor nem lembrar mesmo e nem comentar nada sobre isso.
- Será possível sair de uma sofrência em menos de uma hora? – pensava Pedro. Ele estava com um olhar perdido, olhando sem olhar, longe de tudo, até mesmo de Luana, que começou a cantarolar Chico Buarque: “- Viva a folia, a dor não presta, felicidade sim!”. E ele pôs-se a sorrir no instante em que ela cantou.
Finalmente chegaram ao show. Quando chegaram, a banda já estava na segunda música. Pedro foi buscar cervejas para os dois e ao voltar encontrou Luana dançando. O vestido florado a deixava ainda mais bonita. Ela sorria sem parar.
Luana parecia contagiada pela alegria da banda, pela empolgação de Tibério, o vocalista. Tinha mais samba em Luana do que em todo o Rio de Janeiro em dias de carnaval. E ela tentou convencer Pedro a dançar. Ele ficou desconcertado, disse que não sabia dançar, falou em joelho machucado, argumentou de todas as maneiras, mas foi inútil.
- Você chegou naquele bar com olhar de quem chorou, estava triste, e apesar de tudo o que aconteceu com você, eu fiz você sorrir, o que parecia difícil. Depois de te fazer sorrir, te fazer dançar vai ser mais fácil. Vamos, cai no samba que pela minha lei você é obrigado a ser feliz. – disse Luana empolgadíssima. Impossível dizer não.
Pedro fazia movimentos estranhos, o que não parecia muito com um samba, mas pouco importava. Por alguns instantes esqueceu-se de suas sofrências. Estava feliz. Luana tinha uma responsabilidade muito grande nisso e Chico Buarque estava certo quando cantou que se todo mundo sambasse seria mais fácil viver.


...
Continua! (Parte I)

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