quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Futuros Amantes III







Depois de algum tempo ele quis saber por que ela deu trela pra ele, por que o chamou praquele show, vários porquês, antes de lembrar que eles nem se conheciam.
- Mas eu sei teu nome e você sabe o meu. Também sei as razões que fizeram você ir aquele bar. Por enquanto é o que importa. Depois nos conheceremos melhor, saberemos além dos nossos nomes e gostos musicais. – dizia Luana. – Agora deixe de coisa, vamos curtir a festa.
- Tudo bem! Você tem razão. – Consentiu Pedro. – Aquele cara manda muito bem no piano. É um desses prodígios, gênio mesmo. – Mudou de assunto. Naquele instante, Victor Araújo, o pianista, começava a introdução de “João e Maria” com a valsa de Amelie Poulain.
Com a valsa, uma troca de olhares, de sorrisos, um passar de mão nos cabelos de Luana, um encantamento mútuo, brilhos nos olhares e um beijo aconteceu.
Não foi por uma carência ou coisa parecida que Pedro beijou Luana, foi por um encantamento diante de tanta beleza e generosidade e carinho. Luana era muito gentil e carinhosa e ele nem sabia se merecia tanto.
Perderam a noção da hora. De repente, bateu vontade de ir pra outro lugar. Pedro disse que o mundo seria melhor se Luana o convidasse pra ir pra casa dela. Ela morava com uma amiga. Ela aceitou. Poderiam conversar mais, saber mais um do outro e, quem sabe, fazer algumas travessuras até confundirem as pernas. Os corações só não podiam se perder.
Antes de irem embora, Luana disse estar com sede e Pedro saiu pra comprar água. Quando caminhava em direção à praça de alimentação ouviu alguém lhe dizer “Mas já? Tão rápido assim?”. Era Patrícia, sua ex-namorada. Ele se deu conta de como é desconcertante rever um grande amor.
- Oi! – disse ele com uma voz que quase não saía.
- Com você a fila anda rápido, não é? Ou já havia andado antes mesmo de terminarmos? Talvez não estivesse tão errada quando disse que você só pensa em você. – disse Patrícia aparentando certa chateação.
O olhar de Patrícia foi como uma pedrada, ríspido e seco. Pra ela, era visível que o que havia entre eles ruiu. O amor que eles se deram era muito, mas acabou. Era o que parecia. Antes de encontrar Pedro naquela festa, Patrícia já pensava isso, mas trazia consigo a idéia de que as aparências enganam.
Pedro, constrangido, não sabia o que dizer.
- Mas fica tranquilo. – falou Patrícia. – Já não existe esperança de tudo se ajeitar e você já não me deve mais explicações. Até fico feliz que você esteja bem. Saiba, não estou mentindo. Fico feliz mesmo. Você é sempre tão sentimental, cheguei a pensar que você enfrentaria tristezas abissais. Que bom que já está bem - Disse Patrícia.
Pedro tentava esconder a aflição. A princípio ele achou mesmo que choraria até desidratar. Até ficar submerso. Pensou que faria um mar de lágrimas. Mas Luana, uma desconhecida e atenciosa, o livrou dessas tristezas abissais. Pedro tinha Luana pra lhe abraçar e lhe entender. Ela o fez perceber que tristeza é de doer. Ele tinha a obrigação de ser feliz.
“Como é desconcertante rever um grande amor”, pensava Pedro.
Pedro não acreditava em destino, muito menos que poderia ter ironias. Ele costumava falar em sarcasmos do acaso. Pois bem, enquanto ficava calado, tentando encontrar palavras, alguém pedia pra banda cantar alguma música da Mula Manca, antiga banda de alguns integrantes de Seu Chico.
- Você tem razão – começou Pedro – não te devo mais explicações e de nada adiantaria tentar explicar qualquer coisa agora. E, por favor, não comece com essa história de que eu só penso em mim. Você disse pra eu ser feliz e passar bem e é o que estou fazendo. Quero que você também seja feliz. Quero que saiba que nunca te traí. Sobre essa coisa de fila, esquece. Aconteceu. Ela é só uma amiga, nos conhecemos hoje. Mas deixa pra lá, não preciso explicar nada.
Naquele mesmo instante, a banda tocava uma canção da Mula Manca em que Tibério mandava um “hoje eu vou dançar com a primeira que me cativar. Não vou me envolver, só vou me animar. Se, por ventura, me vir não me venha desconsiderar. Por anos confessamos os nossos pecados, planejamos corrigi-los, mas nunca fizemos”.
Não corrigiram mesmo. Patrícia parecia desconcertada. Pedro falou que o show estava acabando, que Luana esperava e que precisava ir embora.
- Te cuida! – falou Pedro.
... Continua! (Parte IParte II)


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