sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Futuros Amantes IV





Patrícia era gentil, doce e colorida e Pedro costumava dizer que ela parecia uma princesa de trovadores. Luana era diferente. Tinha certa tensão, vivacidade e era decotada. Parecia uma marquesa do século XVIII.
Luana quis saber quem era a moça com quem Pedro estava conversando. “Não é ciúme, é apenas curiosidade. Não tenho motivos pra ter ciúme, mas posso ser curiosa, não é?” Disse com um sorriso entre dentes.
- Sim, pode! – respondeu Pedro. – É a minha ex-namorada, mas eu não quero falar sobre ela. Não hoje. Veja só, eles estão cantando Jorge Maravilha e, segundo Chico Buarque – Pedro começou a cantarolar – “não vale a pena ficar, apenas ficar chorando, resmungando: ‘até quando? ’ Não! Não!” – Disse sorrindo.
“Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo. No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.” Cantarolava Luana.
E saíram os dois. De mãos dadas, em busca de um táxi, com destino à felicidade, que pra eles seria a casa de Luana. Lá eles teriam vinho, conversas e travessuras. E não falariam em solidão, nem em tristezas abissais.
Depois das travessuras, Luana queria um colo e cafuné até dormir. Por fora disfarçava sua aflição, mas o que a levou ao bar foi o mesmo motivo que fez Pedro ir até lá. Luana tinha terminado o seu namoro naquele dia. E quando saia da Praça Pedro II pra ir para o bar na Avenida Frei Serafim, viu Pedro em um banquinho chorando. Assim que ele chegou ao bar, ela o reconheceu. Quando falou que todo fim infeliz não deixa de ser um sinal de incompetência, ela falava de si mesma e do fim do seu namoro.
Luana, que acreditava em ironias do destino, pensou que aquela fosse uma dessas ironias. Por isso chamou Pedro pra sentar com ela. Dois corações feridos se entenderiam. Ambos queriam saber por que um casal acaba. Talvez aquele fosse o momento em que um casal começa.
Ela estava afim de um romance assim, tipo, pra vida inteira. Talvez fosse Pedro o cara certo. A princípio, não pensou tanto nessa possibilidade, era mais importante que pelo menos por uma noite poderia ser feliz, poderia fazer festa, fazer as folias que não fazia por causa dos ciúmes e insegurança do ex-namorado. Uma festa, um samba, umas cervejas e talvez algum amor ou alguém pra travessuras, cafunés e amor até mais tarde, sem se importar se teria muito sono de manhã.
Luana não sabia se aquele era o momento certo pra outra história de amor. Ela percebeu pelo olhar de Pedro que ele queria algo além de uma noite. E tantas coincidências, tantos gostos parecidos poderiam levá-los a algo mais. Ela, tão sentimental quanto ele, estava sempre à espera de algo mais.
Pedro se esqueceu de tentar entender por que um casal acaba. Pela lei de Luana, eles eram obrigados a ser felizes. Não acreditava nessa coisa de amor à primeira vista, mas acreditava estar diante do que poderia ser um desses casos de entusiasmo à primeira vista. Talvez algum dia isso seria algo mais.
As mágoas de março foram esquecidas no show do evento “Artes de Março”. Quando saíram do táxi, na casa de Luana, começou a chover. Eram “as águas de março fechando o verão”. Eram “promessas de vidas em seus corações”, como diz a música. Tinham a sensação de que naquele momento eles viviam uma ambientação de música do Tom Jobim. Era o começo de um caminho. E que não aparecessem pedras nesse caminho. Dessa vez tentariam algo bem melhor. Por hora, seria inútil dar nomes às emoções e sentimentos. Sequer sabiam se era algo especial ou diferente ou um passatempo desses que aparecem com os sacarmos do acaso. Ou ironias do destino.
Luana beijou Pedro com urgência e aflição.

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