sexta-feira, 7 de setembro de 2012





 Cê tem razão quando fala que exagerei no scotch aquele dia, mas não pense que foi por causa disso que eu te falei aquelas coisas todas, cê precisa acreditar em mim. Eu gosto mesmo de você. E não pense que é um gostar desses que só aparecem com embriaguez. Cê tem que acreditar em mim. Cê deve saber que sempre gostei de você. E cê também gosta de mim.
Lembra quando tentamos uma vez e não deu certo? A princípio fiquei frustrado, mas logo percebi que foi até bom. Éramos imaturos e com tanta gente na nossa história – amores antigos, amigos maldosos e até inimigos – não passaríamos duas semanas juntos, seria precitado se tivéssemos tentado. Àquele tempo o desgaste chegaria rápido.
Naquele tempo estávamos cansados de tentativas frustradas, de nos perdemos sempre que encontrávamos alguém em quem apostar. Éramos – como você disse ontem – dois imaturos achando que mudaríamos nossas vidas consolando um ao outro fazendo travessuras e tentando algo mais, mas ainda bem que percebemos o engano a tempo. Você percebeu, aliás, eu ainda apostava alto.
Olha, eu sei que você tem alguns medos, que já sofremos muito, que já colocamos nossos corações em muitos apuros, mas acho que você precisa ficar menos preocupada com essas coisas. Vamos aproveitar o hoje e esquecer as mãos que seguramos e que depois nos deram adeus, as faces que beijamos e que um dia se viraram pra gente, os choros com as despedidas e cada adeus.
Pouco importa o que será o amanhã, o depois ou o que virá para o resto da vida, pelo menos por enquanto devemos aproveitar o hoje. Coloca outra cerveja no teu copo, essa tá quente.
Teu corpo tá quente, o que está acontecendo?
Veja os casais das mesas ao lado, eles parecem felizes e despreocupados com o amanhã e com o que as pessoas poderão dizer. Acredito que amar é isso. Um pouco isso. Ou um muito, não sei bem, já te disse que sou um romancista teórico, um pobre amador em relação a essas coisas de amor.
Você fala em receios por tudo o que já passamos, por todas as coisas que confidenciávamos quando nos encontrávamos pra falar de amores que davam em nada e decepções e mais desilusões, mas cê precisa entender que pode ser certo essa coisa de que os erros nos ensinam, talvez tantas coisas erradas fossem um modo de nos preparar para hoje. O fato de todos os amores que vivemos não terem sido suficiente não pode ser condição necessária para tanto medo.
Ainda que não tivesse exagerado no Scotch eu teria dito todas aquelas coisas como te digo hoje. Olha, precisamos entender que estamos prestes a perder uma grande oportunidade de darmos um passo importante para nossas vidas. Penso que é chegada a hora de apostarmos em um sonho lindo, mas como já disse, sem precipitação, um dia de cada vez até que esse dia de cada vez seja uma dessas coisas que chamam de pra sempre, mas não um pra sempre qualquer como esses que estão sempre por um triz ou um desses que sempre acabam. Ou um desses que não é todo dia. Falo de um pra sempre de verdade.
Vem! Confia em mim, em nós e no amor.
P.S.: “Quanto aconteceu, agora deixa pra depois, parece cena de novela de colorida por nós dois.” (Volver)

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