quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Corina





Vivi hoje uma dessas noites em que não se consegue dormir. De quando em vez o pensamento de que a morte é uma merda, conforme li alguém dizer uma vez. Ao passo que penso assim, tento entender com que direito reclamamos da morte. O poeta Ramsés Ramos questionava o que diria de nós a vida após termos aproveitado todas as suas festas e banquetes. Enfim, não sei o que dizer sobre a morte, nada além de que é a ordem natural das coisas. Faz parte. Faz parte. Tudo o que é vivo morre, sentenciou Ariano Suassuna.
Mais do que a morte, nos impressiona o morrer.
Corina era minha tia e tinha 70 anos. Viveu uma vida digna e era honrada e brava como seus pais. Corina foi mais uma das vitimas da diabetes, mas jamais se entregou. Quando a visitava era sempre recebido com sorrisos no rosto. Corina também era mais uma das vítimas do AVC, um dos males do século.
Como se fosse guiada pelo vento, a má notícia de seu falecimento chegou rápido, ontem à noite. Confesso, ainda não sei se a ficha caiu. Ainda não sei se é por isso que contenho o choro ou se é por medo demais uma seqüência de falta de ar que costuma vir com as lágrimas, como foi noite passada.
Mesmo muito doente, Corina jamais se entregou, como fazem os covardes. Evitava emoções fortes, precaução tem que ser assim. Jamais esmoreceu, como se não quisesse repassar para os filhos qualquer aflição que lhe aparecesse.
Os filhos de Corina são gratos a ela por tudo o que fez pela família. São gratos por terem sido todos criados pra serem pessoas de bem. Os filhos. Os filhos e os netos, eis os maiores legados de Corina.
Meus irmãos e eu e muitos dos meus primos chamávamos Corina de “Mãe Corina”, em vez de tia, tamanho o envolvimento que ela mantinha com todos da família. Corina era aposentada – merecida aposentadoria após tantos anos dedicados ao serviço público. Era uma mulher alegre, doce e não media esforços para defender os filhos. Como uma boa nordestina, virava uma leoa na hora de defender os seus, porém sem perder a ternura.
Eu levaria dias inteiros enaltecendo qualidades dela, mas, por hora, o que quero dizer é que ela deixa pra sempre uma imperecível e imorredora saudade. Nesses dias cruéis, tentarei distrair meu coração das dores que a vida nos dar.
Corina nos deixou nessa noite do dia 26 de setembro.
P.s.: “Agora uma nova estrela brilha no céu iluminando essa escuridão. Em sonhos sei que posso te imaginar. Eu só quero lembrar que você sempre vai existir aqui.” (Casaca)

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