quinta-feira, 20 de junho de 2013

Abaixo a negligência nos romances





Quase tudo soa muito fútil e o pior é que daquele amor sobrou apenas uma tristeza pra ser tema de crônicas sobre amores acabados por incompetência e desleixo. Acredita que alguém tinha que ter-lhes parado. Crê que deveriam ter parado no começo, quando tudo ainda eram arranjos de violetas e mudas de gerânio. Depois tudo era flor de plástico sem perfume, sem sentido, sem graça. Naquela avenida, naquele dia, seus protestos eram de amor. Não de trânsito, nem de saúde, nem de educação, mas de amor. Ela não se deu conta, nem deu atenção aos protestos de amor. 
Tudo foi se acabando aos muitos, em doses cavalares. De repente – não menos que de repente – do riso forçado fez-se insuportável sofrer. A indiferença tornou-se acusações infantis, palavras ríspidas e secas como pedradas. 
É certo que deixou transparecer absolutamente tudo. Toda a insatisfação, toda a falta de saudade e atenção. O carinho tornou-se antes de tudo uma obrigação, não prazer. Esse amor sempre deixou ótimas e péssimas impressões. Aquele amor dos dois atraia amor e ódio dos amigos e até inimigos. Felicidade é sorriso aberto. Não haviam sorrisos, nem felicidade e muito menos amor. Aos muitos tudo foi acabando como um protesto após o objetivo alcançado. Os abraços eram poucos e frios. No frio o abraço não aquecia. 
Ali estão, sentados na praça. Na mesma praça, mas em bancos diferentes. Ela de um lado e ele de outro, cada um sofrendo ao seu modo. A um drogado que tentava lhe vender um celular roubado, perguntava porque um casal acaba. Tentava entender porque um até breve em vez de despedida triunfal com beijos de cinema e sexo de chanchadas do século passado. Em tempos de crises na economia e no amor não se compa celular. Sem futilidades tecnológicas, já bastam as futilidades que levaram aquele amor ao fim. 
Enquanto na rua, sob um sol de rachar palácios de governo, um grupo protesta por saúde, educação e segurança, ele cai em prantos e protesta contra a falta de amor, de carinho e maturidade. Não soube aproveitar a milésima chance que a vida lhe dava.  
“Abaixo a negligência nos romances!”, gritou, pra desespero de um protestante de igreja batista que passava ao lado. 

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