quarta-feira, 5 de junho de 2013

Do lado de fora





O momento é incrivelmente eufórico, de fé inabalável, de crença cada vez mais forte. Quanto mais rezam, mais acreditam em suas crenças. A fé sempre o encantou, embora se julgue um rapaz que não tem muito apego à ela. Costuma, inclusive, dizer que sua fé é algo apenas decorativo. Sabe-se pouco sobre ele, chegou há pouco, veio de uma cidade pequena e bucólica. 
Ao passo que sua euforia aumenta, é notável que sua chegada à cidade grande fez com que tivesse um certo encantamento com o consumismo. Tudo parece fácil, (embora nem sempre tenha dinheiro). Tudo está ali, ao seu alcance. 
Percebe-se que não é um cidadão comum como tantos outros. É um cara diferente, parece não ter medo de correr riscos, a falta desse medo, segundo dizem, é devido ao fato de ser novo na vida, “o que parece espantoso: como pode rapaz aparentemente tão responsável, ser assim tão inconsequente?”, resmungava um vizinho. 
O certo é que não é certo sair por aí apontando o dedo. E não se pode ver inconsequência na falta de temores. Arriscar é preciso, temer não. Quando se é jovem então?! A ousadia da juventude é encantadora. Às vezes inconsequente, como poderia dizer o vizinho resmungão ou qualquer outra pessoa. Enfim, era verdade. 
O jovem chama-se Victor, ouve Tim Maia à toda altura. E toda hora. É o mais novo, antes dele, pelo que se diz, há três irmãos. Bom rapaz, aparentemente livre dessas coisas que trazem ódio e brigas. Victor também vive momento incrivelmente eufórico e isso se deve ao seu aniversário. Faz, então, uma festa com os novos amigos da rua onde mora, filhos de vizinhos e algumas pessoas da faculdade onde estuda. 
Aqui está escuro, não dá pra ver quase nada. Sinto-me um chato em ter que contar essas coisas, alguns detalhes da vida alheia. Isso de ser narrador observador é um tanto constrangedor, aliás, acredito que o narrador observador é o cara mais chato da literatura. Como ousa entrar assim na vida das pessoas e especular sobre sentimentos, pensamentos e conversas? 
Citação: “Especular sobre a vida alheia sempre vai te fazer pequeno, portanto, é melhor cuidar de si. Mas é preciso aproveitar a liberdade poética”. 
[...]
Continua!

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