sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

As fofuras da oposição


Charge SPONHOLZ 



            Eu leio um artigo, uma crítica, vejo uma entrevista, ouço um comentarista político, ouço barulhos da oposição e nada – absolutamente nada – me faz acreditar que o PSDB terá grandes chances de ganhar as eleições presidenciais de 2014. Não é exercício de futurologia, é enxergar o óbvio, é enxergar uma oposição cada vez mais fofa com o governo, cada vez mais covarde e conivente. Ou é isso ou Dilma faz um governo perfeito e inquestionável, o que é pouco provável.
            O PSDB e os demais partidos de oposição chegaram a um nível tão absurdo de preguiça,  de escassez de inteligência e de coragem que os maiores opositores do governo da presidente Dilma são dois ex-governistas. Marina Silva e Eduardo Campos são os que fazem as mais fortes críticas ao governo atual.
            Marina é oposição há mais tempo, até disputou eleição em 2010 na tentativa de derrotar Dilma. Eduardo Campos é oposição recente, tão recente que mais parece rebeldia adolescente, daquelas que acabam depois de uma conversa, uma bronca, essas coisas.
            O PSDB tem em Aécio Neves seu pré-candidato à presidência da república. Aécio deveria ser o líder da oposição, é até tido como tal, mas se comporta como um rei nos tempos de Feudalismo, daqueles que reinavam, mas não governavam. Aécio, no caso, não “oposiciona”.
            Ao chegar ao senado em 2011, Aécio já foi tido como o líder das oposições, aquele que mostraria o caminho pra derrotar o PT, aquele que mostraria o caminho, a verdade e o jeito de combater o lulismo. Estamos em 2014, ano de eleição, e até hoje Aécio não conseguiu encontrar o próprio caminho, quem dirá o caminho de quem se propuser a fazer oposição. Pra não dizer que Neves é um sem rumo, é interessante apontar que ele se propôs a mostrar, espalhar, gritar, siricutear o legado do PSDB. Enaltecer o que FHC fez de bom enquanto presidente. Apenas isso. Nada além.
            Costumo dizer que a oposição no Brasil tá mais pra liderança de governo, exemplo disso são os partidos que sonhavam derrotar o PT e que agora garantem possibilidade de apoio ao projeto Marina/Eduardo. No fundo, esse provável apoio nem é um meio de derrotar o governo, mas de se aproximar dele em eventual segundo turno entre PSDB e PT. Se é o que o PSDB terá condições de ficar entre os dois primeiros. Nessa baixura do campeonato não seria muito arriscado acreditar e dizer que o PSDB pode nem chegar ao segundo turno.
            O PSDB terá dez meses pra mostrar que seu projeto vai além de retomar o poder, mas se depara com o grande problema de obter êxito em mostrar isso. Há mais de dez anos o Tucanato se apequena a cada eleição, torna-se um partido sem identidade, sem forças, e que caminha a passos largos para mostrar que o fracasso lhe subiu à cabeça. Há mais de dez anos tem preferido a covardia, o fracasso e a inaptidão.
          Em uma década, o PSDB sequer aprendeu a ser oposição, como acreditar que aprenderá a ganhar uma eleição?
           Por hora, o PSDB apenas parece estudar qual a melhor maneira de perder as eleições presidenciais de 2014. E pelo visto nem precisa mais tanto esforço para mostrar na prática que aprendeu muito bem.