terça-feira, 21 de maio de 2013

Reconhecimento, ainda que tardio


Fonte da imagem: Site oficial PSDB


Ao ler o discurso de posse do senador Aécio Neves (PSDB-MG) após sua eleição para a presidência nacional do PSDB, na XI Convenção Nacional do PSDB, tem-se a impressão de que ele passou esses dias parafraseando a expressão Libertas Quae Sera Tamenpresente na bandeira de seu estado, Minas Gerais, e resolveu reconhecer os legados do PSDB e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda que um tanto tarde. 
Aécio Neves, ao reconhecer o legado de FHC e PSDB durante os dois mandatos do partido em entre 1995 e 2002, faz um tardio, mas oportuno – oportunista?! - mea culpa em relação à condição de partidário escondido, coisa que o partido relegou ao ex-presidente tucano. Quanto ao oportunismo, pode-se dizer que apesar de ser levado à presidência do partido, Aécio ainda não conta com total apoio dos tucanos, ainda divididos entre ele, Serra e até mesmo Geraldo Alckmin. 
O senador mineiro faz questão de lembrar que seu partido assumiu o país em meio à uma economia convulsionada pela hiperinflação e que criou bases para a melhoria de vida dos brasileiros. Enumerou ainda diversas ações do governo FHC durante os oito anos de mandato, entre elas a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, a universalização do acesso ao ensino fundamental, programas de transferências de renda – inicialmente Bolsa Escola e em seguida nominado de Bolsa Família pelo ex-presidente Luiz Inácio. 
Aécio Neves, seguindo linha contrária a dos outros candidatos majoritários do PSDB em 2002, 2006 e 2010, fez defesa das privatizações na era FHC e aparenta disposição para colocá-las como tema de sua pré-campanha fazendo defesa e apontando melhorias nas antigas estatais. Privatização é um tema recorrente nas eleições, demonizada pelos opositores de Fernando Henrique e parece ter restrição de alguns aliados, que dificilmente se ocupam em falar sobre condições que levaram às privatizações e as melhorias trazidas por elas. 
Outro ponto importante falado em discurso de Aécio diz respeito ao Bolsa Família. Ele afirma que o programa não pode ser um documento aprisionado ao presente. Espera-se com isso que o recém eleito presidente do PSDB, aponte para soluções que levem à diminuição do número de beneficiários do programa, pois como afirma o jornalista Cláudio Barros, “o sucesso do Bolsa Família é a sua extinção”, para isso é preciso que se trabalhe meios de geração de empregos e que haja melhorias na qualidade da educação e melhor preparação para o mercado de trabalho para que o jovem receba qualificações para sua inserção no mercado de trabalho. 
Simples e direto, Aécio demonstra desejo de levar aos brasileiros o legado do PSDB e as consequências das muitas ações do partido na era FCH. Aparentemente, o presidenciável tucano surge com uma proposta partidária voltada para o país, e não para a promoção de seu próprio nome como foi feito pelos tucanos nas últimas três eleições para o Palácio do Planalto. 
O discurso sobre o passado, certamente, tem a ver com o momento atual. Isso é notável devido referências à inflação, desarranjo econômico e perda de credibilidade, tidos pelo tucano como desafios vencidos que estão de volta ao cenário atual.  
O discurso inflamado leva a crer que a "fofura" da oposição para com o governo está com os dias contados. 
Como a população reagirá às ideias e a esse mea culpa de Aécio Neves só o tempo – e as eleições poderão dizer – mas, de certa forma ele assume a presidência do partido fazendo louvável reparação do que representou a era FHC e com um detalhe importantíssimo: o faz como dirigente máximo do partido, o que valoriza ainda mais esse reconhecimento.  
É válido salientar que nesse momento, mais importante do que a reação da população em virtude desse discurso, é o modo como os partidários e aliados encararão tudo isso. Serão eles os maiores responsáveis por difundirem o legado de FHC na presidência da república entre 1995 e 2002, sem esquecer que foi ele o Ministro da Fazenda responsável pela implantação do Plano Real, em 1993, durante o governo de Itamar Franco, mineiro e astuto como Aécio. 

Um comentário:

Auryllan Neres disse...

Definitivamente, uma apologia à Era FHC é válida. Aécio Neves tem que se desmistificar dos conceitos da mídia e contracenar com suas ideias. Esquecer FHC nesse período é tolice. Reconhecer como tal, para a mídia, é uma barbárie. Para a sociedade, deveria ser um recomeço, um norte para as "frescuras" implantadas no país.
Dilma estrangulou e desqualificou pela via mais baixa dois órgãos representativos de credibilidade do país: IPEA E IBGE. É uma desgraça. Seu discurso arrebatador se tornou um parasita. Nota-se a tentativa de continuação de um modelo esgotado, pautado nos mesmos normativos implantados pelo ex-presidente Lula, pós crise norte-americana (pelo menos até a próxima eleição).
Veem-se, também, uma tentativa de prognosticar um inicio de uma crise inflacionária, por parte da mídia. Estamos beirando a economia argentina, prepotentes e sem prestígio.
Enquanto nossa política elaborar estratégias de curto prazo, com o intuito de se perpetuar no poder, ninguém conseguirá mudar nossa realidade. Perder tempo acreditando nessas agências de rating é um retrocesso.
Precisa-se de audácia, precisa-se de astúcia e competência.
Aécio Neves é a bola da vez, só precisa saborear e não se lambuzar.