sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo e um próspero carnaval




Pra começo de conversa: feliz dia do início do rali Dakar. Feliz véspera do dia da fraternidade universal. Também é véspera do dia da paz. Não esqueçam: todo dia é de paz. E de fraternidade. Não esqueçam, please!

Em 2011 eu me flagrei usando "please!" depois de ler um texto do Waly Sailormoon, responsável pela organização e publicação de 'Últimos dias de Paupéria', que reunia poemas, artigos e cartas do Torquato Neto. Um lembrete.

Eu já tô em outro parágrafo e ainda não escrevi a que vim. Tô meio perdido, confesso. É que ainda tô tentando lembrar coisas interessantes de 2011. Pronto! Lembrei de uma coisa muito bacana: assisti a um jogo do Palmeiras no estádio, o segundo em dois anos, foi pela copa do Brasil, aqui em Teresina. Quase não ganha! Palmeiras, aliás, teve um ano ruim. De me deixar doente após alguns jogos.

2011 foi um ano triste para os Palmeiristas. Eu estava prestes a prometer que não sofreria tanto pelo Palmeiras em 2012 e que não perderia paciência, essas coisas que a gente promete em todo final de ano, mas eu não cumpriria, então deixa pra lá. Se precisar, eu sofrerei pelo Palmeiras, chorarei, mas eu tenho pra mim que terei mais motivos pra comemorações mesmo. (Aqui é Palmeiras, baralho!)

Fiz bons amigos. Mantive muitos dos poucos e bons. Fiquei ainda mais fã de Roupa Nova, conheci Dostoievski e ele é um cara muito inteligente. Gente fina. Reli Erasmo de Rotterdam, um ironista genial, e tive sensação de que a loucura parece essencial para a humanidade. E pode ser vital para a felicidade. Fiz textos tão desconexos quanto esse que escrevo sem saber onde vai dar e sem saber se vai passar das três páginas.

Em 2011 eu vi estudantes tomarem Teresina e manifestarem contra o aumento abusivo no preço das passagens de ônibus. Vi e participei! Uma lindeza de manifestação. Vi ministros corruptos caírem. Infelizmente, caíram apenas dos cargos, alguns ministros e deputados e senadores mereciam cair de pára-quedas no centro de Bagdá, em meio a fãs do Saddam e enrolados apenas em uma bandeira do EUA. (Alô, Sarney!)

Tive algumas zangas, o que é normal, mas nada que me fizesse sair por aí cuspindo ódio. Por trás das palavras, da raiva e de tudo, sorri muito. Inventei novas piadas, repeti algumas, perdi piadas e ganhei amigos, perdi os dois ou apenas os amigos. Pelas ruas, amigos e desconhecidos me encontraram vestindo o meu melhor sorriso. Tomei uns porres que não repetirei. Ora porque a cerveja bebida não volta mais ora não quero mesmo.

Fiquei doente, escrevi sobre isso, vi amigos adoecerem, mas não escrevi sobre isso e, presentemente, tenho tido uma vontade danada de tomar a gripe, a febre e a dor de cabeça de um certo alguém pra mim, pra ver se ela melhora logo. Mas isso ainda não é possível.

Possível mesmo é deixar esse texto menos sem rumo e desconexo, mas já disse: tô escrevendo o que me aparece e não revisarei nada sobre conteúdo. Apenas erros de português. Tento evitá-los ao máximo.

E se quisesse deixar esse texto melhor, seria difícil, porque eu tenho que sair e estou atrasado, aliás, tenho que mudar essa história de atrasar demais. Os amigos nem ligam, mas é chato. Talvez chegar menos atrasado seja uma das minhas promessas pra 2012.

Que o ano de 2012 seja uma lindeza! Que o Palmeiras ganhe algum título, que o Corinthians caia logo na primeira fase da Taça Libertadores, que os nossos políticos criem vergonha e tomem rumo e que não esqueçamos que em 2012 temos um gigante que convida a todos para a guerra democrática: O Voto!

Pra término de conversa: Feliz ano novo e um próspero carnaval!

PS: “[...] Somente palavras não curam, mas aproximam as mãos. Permitam que os seus filhos aprendam a ter compaixão. Ensinem os seus filhos, ensinem a ter compaixão [...]” (Nenhum de Nós)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Bronze de Tolo II




Um dia desses, eu andava pelo centro da cidade, quando parei numa esquina e vi um velho vesgo, feio e muito gentil que achava que era argentino, eis que este velho me ofereceu uma viola e eu cantei uma música que dizia mais ou menos assim:

Eu devia estar contente por morar em uma boa casa em Teresina depois de ter visto tanta gente que não tem onde morar. Eu devia estar contente, comemorando feito um maluco, mas ainda tô de luto por que o Jonh Herbert morreu e mais de 300 picaretas que estão a curtir adoidado em Brasília estão vivinhos da Silva (nada a ver com Luiz Inácio).

Ah! Eu devia estar alegre e satisfeito dançando a dança do quadrado, saltando pocinhas na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. Mas é frustrante saber que o mundo é injusto e que algumas pessoas não dão a mínima para o meio ambiente e maltratam os animais. Eu devia estar contente por que tenho uma casinha no campo, onde posso compor muitos textos rurais.

Eu devia estar contente porque aquela menina era totalmente livre e não-fumante, mas confesso abestalhado que fiquei chateadão porque ela não sabia quem era Torquato Neto e disse que eram piegas as músicas que eu ouvia, quando, na verdade, ela nem sabia o que era piegas.

Eu devia estar contente por ter conseguido muitas coisas que eu quis...

Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acho nada engraçado: Ministros e deputados puxa-sacos, governador sem atitude, prefeito incompetente... Eu acho tudo isso um saco...

E o pior de tudo é ver discursos de alguns políticos da situação ou oposição e notar que são humanos ridículos, limitados, que não usam sequer 10% de suas cabeças animais e ainda há quem acredite que é um deputado, ministro ou aloprado barbudo, ou um torneiro mecânico quem contribuirá com sua parte para que tenhamos um belo quadro social e não sabem que só a educação fará isso por nós.

Eu devia estar contente por aos 22 anos estudar em duas universidades, mas confesso abestalhado que estou decepcionado, pois sei que educação no Brasil é uma Merda e serão muitos os que não conseguirão concluir pelo menos o ensino fundamental.

Eu devia estar contente por ter tido uma boa educação, por ter um plano de saúde e estar conseguindo quase tudo o que eu quero, mas confesso abestalhado que estou decepcionado com os nossos governantes que não garantem boa educação e saúde de qualidade aos brasileiros.

Estou decepcionado!

p.s.: “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.” (Raul Seixas)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

pretérito




lia três livros por semana e pensava saber tudo da vida. e sabia. não tudo, quase tudo. obstinado, falava três línguas por dia. estudava três cursos por semestre. e vivia um grande amor há três meses. sentia um grande amor.

unia o útil ao agradável. unia pink floyd a led zeppelin e fazia as pazes antes mesmo de entrar em confusão. dizia que era pra evitar desgastes desnecessários.

chegava sempre atrasado e odiava atrasos alheios. um pouco de álcool e solidão faziam esquecer alguns desequilíbrios. tinha amigos. três em quem poderia confiar. costumava falar que eram quatro, pois acreditava na namorada.

ia de encontro a quem lhe chamasse. era um rapaz esforçado. honrado. sonhava em viajar e largar mão de viver preso em uma capital provinciana. sabia nada de rolling stones e amava beatles.

amava e acreditava ser amado. acredita-se que sim. diz-se que sim. e era mesmo. às vezes era uma contradição: disfarçava tristeza com humor. bom humor e piadas. inventava estórias. e gostava de silêncio, escritas e às vezes ausências. não gostava que chegassem sem avisar.

nadava contra a corrente. debatia-se preso em correntes. dançava tango no teto e samba na laje. era um rapaz esforçado. não costumava brigar com a amada e evitava brigas noturnas. fazia versos e amor até mais tarde e ainda tinha que acordar cedo de manhã.

acreditava na paciência, no amor, não acreditava no lula, não entendia porque o vercilo imitava o djavan e não sabia onde estava belchior, mas era seu fã. cantava. escrevia. sorria. falava de negócios. era um cidadão urbano.

p.s.: “como não sabia o que ia acontecer aproveitava e dançava no teto.” (jay vaquer)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

espera




frei serafim. teresina. 18 horas. sentado num banquinho, elvis presley  no ouvido, arnaldo antunes nas mãos. abre a página branca contra fraquezas travestidas de virtudes. à vista, uma estranha árvore de natal e a estátua de wall ferraz. "ídolo", segundo ele. já tomou umas e outras, encostado na estátua.

agora está quieto. os carros passam, o trânsito está uma loucura e foi tomado por uns imbecis. de repente, fica impaciente. está à espera de alguém. ela não chega. ele odeia esperar. sms enviado. é o terceiro dia seguido que ele espera e ela não aparece. nada, nenhum sinal nos outros dois e por enquanto, terceiro dia, nenhum sinal.

a espera parece inútil e decepcionante como esperar chuva no sertão. a sorte é que ele é um cara paciente. e esforçado. parece disposto a esperar. tem um olhar amargurado, mas não foi sempre assim não. já foi um grande farrista. um boêmio. talvez essas duas coisas que ele era estejam ligadas à tristezas e arrependimentos. e amarguras.

a garota por quem espera segundo dizem, traz consigo experiência de sobra com essas coisas de amar. parece ter medo de se apaixonar e tem sempre um pé atrás, teme que possam fazê-la sofrer a qualquer momento. mas pelo que se sabe ele não é desse tipo. ele não causará sofrimentos.

ele também já sofreu bastante, mas isso não o fez desistir do amor. pelo contrário, fez acreditar cada vez mais, fez aprender que mais dia menos noite encontraria alguém que o merecesse, alguém em quem pudesse confiar. a vida parece ter lhe dado mais uma chance, mas acontece que parece que a garota por quem espera não aparecerá mais uma vez. parece não acreditar mais no amor.

quando ela não apareceu no primeiro dia, pensou que houve algum imprevisto. algo que a impediu até mesmo de ligar ou atender ao telefone. no segundo dia, chegou a pensar em imprevisto, mas também pensou que poderia ser um fora mesmo. que ela não queria conversa com ele.

então prometeu não esperar mais, não ligar, não se preocupar. prometeu até mesmo não amar. prometeu tudo bonitinho, mas não cumpriu nada. na teoria ficou tudo bem, mas na prática nada funcionou. ligou algumas vezes e foi procurá-la e esperá-la mais uma vez. a espera segue inútil e decepcionante.

talvez comece a desacreditar no amor. mais dia menos noite pode aparecer uma descrença nessa coisa meio louca que é esse tal do amor. um pouco de álcool e solidão poderiam fazer bem.

segundo chico buarque, o amor não tem pressa e pode esperar. mas é preciso entender que quem ama tem pressa e não tem todo o tempo do mundo pra esperar. talvez aquele rapaz espere por mais uns três dias ou um mês, mas um dia ele cansará dessa espera. desistirá. até que um dia possa encontrar um amor tranqüilo, desses que não exijam tanta demonstração dos sentimentos para se sentir seguro. o amor pode esperar, mas aqueles que amam não esperarão pra sempre.

certamente ele continuará por mais alguns minutos a esperá-la. só por hoje ele irá esperar. pode ser que só por hoje ele ligue, mande mensagens, recados, vibrações positivas e flores. e amanhã, quando desistir, pode ser que ela sinta falta de tanta demonstração de carinho, amor e afeto. e pode ser que apareça ao encontro marcado. e pode ser que ela tenha que esperar de forma inútil e decepcionante como esperar chuva no sertão. a vida tem dessas coisas.

ps: "‘we can't go on together with suspicious minds. and we can't build our dreams on suspicious mind.” (elvis presley).

domingo, 18 de dezembro de 2011

Pensar em você




Quando penso que às vezes não acreditas em mim eu tenho febre.
E quando penso em você me livro de tristezas abissais.
Só de pensar em você.
E quando falo com você?
Ah! Chego a sentir saudades da tua voz.
(retorne as chamadas perdidas, please!).
E não esqueça que nos devemos um cinema.
Clichê e/ou imprevisível,
Vivo trecho de música do Chico Cesar:
"é só pensar em você que muda o dia, minha alegria dá pra ver."
E 'Linda demais' nunca fez tanto sentido.
PS: “Vem: Conquistar meu mundo!”

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Amor e Música (E desamor, talvez!)





Desde faz é tempo tento falar sobre música no blog, mas os textos nunca ficam do jeito que eu quero e pelo menos por enquanto vou ficar apenas na vontade mesmo. Pode ser que daqui a alguns dias, meses, anos, séculos, não sei, eu consiga fazer um texto muito bom, digno das boas músicas que ouço.

De qualquer modo, as músicas estão presentes em quase todos os textos do Blog, pois quase sempre coloco um trecho de alguma canção após um 'ps.', gosto disso, é como se fosse uma trilha sonora pro texto. Às vezes um texto é um pouco baseado na música que aparece no final do texto.

E por falar em trilha sonora, acredito que seja bastante comum associar música a alguém. Alguma paixão, algum grande amor, ou a alguém por quem já se teve alguma desilusão de entusiasmo. Isso fica explícito em uma canção do Roupa Nova, "Bem Simples": "eu pensei te dizer tanta coisa, mas pra que se eu tenho a música?".

É disso que eu falo, pois tem horas que músicas falam mais do que poderíamos. Música é importantíssima. Tenho pra mim que alguém já disse que a vida seria um erro se não tivéssemos músicas. Não sei se disseram mesmo, mas é bem por aí.

E também acredito que é até um pouco perigosa união 'Música + Paixão/Amor/Entusiasmo', pois dependendo do desfecho de uma história, existe a possibilidade de uma pessoa nunca mais querer ouvir  a música que marcou uma história. Pior: Pode não querer mais ouvir nenhuma canção de uma banda. 

É preciso ter cuidado antes de escolher alguém que mereça uma canção dos Beatles ou Roupa Nova, por exemplo. Se a decepção for grande você corre o risco de não querer mais ouvir músicas dessas bandas e cometerá um grande erro.

Fica combinado assim: Beatles e Roupa Nova ou aquela música da  sua banda favorita é música pra ser dedicada a alguém muito especial. Talvez quando aparecer aquele amor pra vida toda.

Acredito que apaixonação pode começar a existir (não repare a locução verbal, please!), a partir do momento em que a mulher fica na memória do cara de forma poética. Seja um trecho de uma poesia, uma estrofe, um texto e, principalmente, música.

Se o cara "visualiza" a mulher no refrão de uma música pode ser sinal de apaixonação, amor ou coisa parecida. Mas existem exceções, claro, e também depende da música. Se a mulher "aparece" quando o cara tá ouvindo 'Não Enche', do Caetano Veloso, sinto dizer, mas o sentimento deve ser ódio, repulsa ou coisa parecida. Pro cara, também é um sentimento de libertação. E uma mulher, certamente, não gostaria de ser lembrada através dessa música.

Mas se a mulher aparece no refrão de "Forever", do Kiss, por exemplo, é sinal de que a apaixonação é grande. E se ela "aparece" durante a música "Linda demais", do Roupa Nova, é porque tá pra lá da apaixonação, rompendo as barreiras do amor. "Linda demais" é música pra ser tocada em casamento. Música pra substituir marcha nupcial.

Ah! Se o cara "visualiza" a mulher em qualquer música de desamor do Leoni, o caso é sério e o cara  já não vive no fundo do poço da dor de cotovelo, ele já tá é pra lá do pré sal da dor de cotovelo e os amigos têm que estar ao seu lado pra evitar tragédia, principalmente se a mulher aparece enquanto o cara ouve "50 Receitas" ou "Depois do fim" que são de causar depressão até em Prozac.

Há quem misture músicas de desamor do Leoni com as do Oswaldo Montenegro. Isso é mistura pra evidenciar a pior fossa de todos os tempos.

Mas as músicas do Leoni são excelentes. "Do teu lado", por exemplo, é uma das músicas de saudade mais bonitas que eu já ouvi. Ah! "Angie", dos Rolling Stones, também é sensacional. Das melhores de desamor.

Eu poderia fazer uma lista do tamanho do mundo de boas músicas pra lembrar alguém. De músicas de amor a desamor passando por entusiasmo, paixão e saudades, mas começou a tocar “Forever” e eu tenho que ouvir com toda atenção do mundo.


PS: Música, como bem disse Tom Zé é "a mais alta e evoluída produção humana."

sábado, 10 de dezembro de 2011

Alguma coisa acontece no meu coração




Remédios. Clínicas. Tédio. Repouso. “Reclusão”. E como bem poderia dizer Carlos Drummond de Andrade: “Êta vida besta, meu Deus!”. Ou não!

Essa semana tem sido um porre. Adoeci mais uma vez e dessa vez pareceu-me algo mais sério do que na semana passada. Dentre outras coisas, a pressão estava nas alturas, mas já voltou ao normal e o coração bate certo. Tudo numa boa.

Clinicamente falando eu sei mais ou menos como estou, mas só vou falar com a cardiologista que me acompanha há um tempão na segunda feira, quando ela atende na clínica em que sempre vou.

Clinicamente falando, o médico disse que eu devo ter cuidado. Foi exatamente o que pensei quando ele conversava com o outro médico e pareciam surpresos que um rapaz de 22 anos estivesse com a pressão nas alturas e outras coisas mais. Vai dizer que não ficaria preocupado? (risos).

Nessa sexta tive de ir ao ITACOR. Não estava muito bem. Fui sozinho. Aliás, estou me habituando a ir só a clínicas. Desde a semana passada. Veja só: em 22 anos eu nunca fiz um exame de sangue sem que minha mãe ou algum parente estivesse por perto. Semana passada eu fiz. E foram três agulhadas, é que precisei de uns remédios também.

As enfermeiras foram bacanas comigo porque eu disse logo que estava com medo. Tenho medo de injeção (e de galinha choca!). Eu tô até pensando que o meu plano de saúde cobre táticas de relaxamento como piadinhas, conversa fiada e uns pedidos de “fica tranqüilo, não precisa ter medo”.

Se eu pudesse dar uma só dica sobre futuro seria essa: tenham plano de saúde!

Enfim, o que foi clinicamente falado não vem muito ao caso. Ou vem e eu não quero falar sobre isso. Uma coisa ou outra. Ou as duas. (Paciência, por favor! São duas e pouco da manhã, eu deveria estar dormindo, mas tá rolando uma seresta perto da minha casa e tá muito barulho. É pouca zuera?¿?)

Pois bem, “poeticamente” falando (aspas são perigosíssimas), eu acredito que tenho uma explicação pro que acontece: acho que eu tô apaixonado. E às vezes penso que meu coração não quer mais amarrar frustração e tá fazendo um esforço danado pra eu dar um tempo com esse negócio de apaixonação. Como se ele quisesse tirar essa apaixonação que tá nele.

E outra teoria para o que acontece no meu coração é a de que essa paixão é “muita” e isso explica a sobrecarga que o médico falou. Eu acho também que se existe sobrecarga é porque eu tenho muita gente guardada aqui "no lado esquerdo do peito, dentro coração". Calma. Isso não é música do Milton Nascimento. (Essa música é do Milton Nascimento mesmo?)

O coração, meus caros e minhas caras (pareceu cumprimento petista!), tem razões que a própria a razão desconhece. Mas tem umas coisas que um eco cardiograma ou eletrocardiograma reconhecem imediatamente. Ainda bem!

Enfim, se não for paixão “muita” e muitos amigos guardados no peito, deve ser alguma coisa que será mostrada nos exames. Deve ser algum aviso pro sujeito se cuidar mais e melhor. Essas coisas. Mas eu tenho me sentido bem melhor e acredito que deva ser alguma apaixonação mesmo.

O coração deve estar eufórico, trabalhando mais rápido. Deve ser um coração tiete. Quando o coração fica se divertindo, num tem?
Ah! Vá ao médico regularmente, faça exames, tenha plano de saúde e dê atenção àquela pessoa que quer o seu bem e fala pra você deixar de teimosia.

(Licencinha que tá na hora do remédio.)

PS: “Agora agüenta, coração!” (José Augusto)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aquela Música




Então, cê sabe do meu apego com as músicas, né? Dessa mania de imaginar uma trilha sonora pra diversas situações, pessoas, o que for. Cê sabe, né? Cê lembra, né?

Então, hoje passei por um barzinho e tava tocando aquela música que lembra a gente. A música que a gente ouvia e dizia que era nossa. Lembra que a gente planejava entrar na igreja ao som da nossa música em vez da marcha nupcial? Que louco!

Sim! Foi a primeira vez que a ouvi depois que a gente... Você sabe! Eu nunca mais tinha ouvido. E nem queria ouvir, mas aí hoje quando tocou deu uma saudade de você. Fiquei com vontade de ligar, saber de você, se está tudo bem. Deu vontade de ir pra casa correndo e ouvi-la a tarde inteira. Ficou só na vontade mesmo. Desisti.

Quando nós ainda estávamos juntos eu devo ter ouvido aquela canção umas 100 mil vezes. Ela era linda demais. Ainda é. Mas não quis ouvir. Preferi ouvir outra coisa que lembrasse meu atual momento, qualquer coisa que não me fizesse lembrar nosso lindo e saudoso passado.

Tem pra mais de duas horas que ouço 'Angie', do Rolling Stones. Eu sei, não parece normal, mas é o que tô fazendo. Acho a música legal. Deprimente, de causar depressão em prozac, mas é legal, é o que eu quero.

Você poderia me ligar. Sim! Por alguns dias eu ouvia Travis. Mas isso lembra muito minha adolescência e não me lembrava apenas de você. Eu me lembrei de todas as garotas por quem me apaixonei e por quem sofri. Sabe aquela do Beatles, que era nossa música reserva? Nunca mais ouvi. Como era mesmo? Esquece!

Os planos, os sonhos, como nós deixamos pra trás? A casa teria jardim e lugar reservado pros cachorros e gatos. E pro papagaio. Não há tempo que volte, amor. É assim que o Lulu canta, não é? Por falar em Lulu Santos, não fomos a nenhum show dele.

Por méritos, merecíamos uma nova chance. Uma segunda chance pela milésima vez. Mas isso não importa agora, eu falava sobre música. Você ainda ouve aquela música?

Ah! Lembra de quando cê cantarolava 'Super duper Love'? Joss Stone, né? Uma lindeza! Ah! Eu ainda vejo você no refrão de 'Forever', do Kiss. Outra lindeza de música.

Sabe, minha vida continua quase da mesma maneira. Mudei pouco. Continuo chegando atrasado e dizendo que tô chegando, quando ainda tô em casa. Disseram-me que você mudou. Abriu mão do cabelo curto, dos vestidos florados, fez uma tatuagem e passou a ouvir músicas ruins, músicas que eu odeio.

Disseram que cê fez isso pra me esquecer mais rápido. E me contaram que cê chorou quando alguém cantou aquela música que era minha e sua. Nossa música. Mas isso de mudar pra esquecer é coisa pra outra conversa.

E quanto a mim, eu vou ouvir aquela música. “Bem devagar” é coisa linda de Deus. E viva Gilberto Gil. E Caetano Veloso.

PS: “Sem perceber, sem suspeitar, o meu coração deixou você surgir.” (Gilberto Gil)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os outros



Estão se especializando em fazer tudo errado. Em sabotar seus sentimentos. Inventam brigas, dão credibilidade às conversas alheias, eles parecem não se dar conta que isso é ruim apenas pra eles.

(Quase) ninguém vai dar a mínima se eles terminarem. E eles parecem fazer questão de pôr em prática qualquer coisa que os faça sofrer. Qualquer coisa que lembre as desilusões de entusiasmo. Ele insiste em contar algumas coisas do seu passado erótico. Ela sofre de ciúme retrospectivo.

De fato, têm medo de algo sério e aí ficam presos às conversas sem sentido. Às estórias mal contadas. Como se sabe, a vida segue e não anda nada fácil, então, por que dificultar ainda mais? Por que, como disse Roberto Carlos, dá ouvidos à maldade alheia?

Deixe que digam que pensem que falem e isso aqui não é música do Jair Rodrigues. São conselhos. Uma conversa no deserto. Dentro dos meus 'achismos', é o que acho que é bom, que pode ser aceito. Diferentemente daquelas outras idéias daquela gente que não apresenta nada bom.

'Não dê ouvidos à maldade alheia'. Isso aqui não é música do Roberto Carlos. E deixem de estupidez. Olha, isso de ouvir coisas de quem lhes quer bem acontece poucas vezes em uma vida e é preciso aproveitar. É preciso ter serenidade. É preciso não sabotar os sentimentos. É preciso dar um jeito de não deixar de se amar. 'Não dê ouvidos à maldade alheia'.

É preciso largar mão de ser cabeça dura. Não podem ser estúpidos. Têm que largar essa estupidez idiota que mascara o amor. Não podem ser marionetes, figurantes da própria história. Que os chatos e os que insistem em atrapalhar se danem. Precisam pensar neles mesmos.

'Quantos idiotas vivem sós, sem ter amor?'. Pergunta Roberto Carlos. Querem ser desses idiotas? Eles têm é que teimar e enfrentar o mundo. E os idiotas. E os chatos. E os que são do contra.

É preciso ter cuidado com essa gente que tem coisas contra o amor correspondido. Com essa gente que se espanta quando sente que o amor chegou pra elas ou pra alguém que estar perto. Essa gente foge do amor como pardais quando são assustados.

É preciso não dar atenção aos estúpidos que passam a vida em busca de defeitos no amor alheio. Essa gente sem rumo e sem amor que vive de querer atrapalhar. Essa gente é mais perigosa que uma galinha choca.

Desculpas pelos clichês. E desculpas se isso parecer patético. Mas é que é preciso amar. E sem dar ouvidos a essa gente maldosa. Eles precisam saber disso antes que seja tarde demais e nessa baixura do campeonato, o tarde demais pode ser daqui a três minutos.

Precisam saber que a alegria alheia pode incomodar. Os chatos, os mesquinhos e os idiotas adoram se incomodar com a alegria alheia. São especialistas nisso.

PS: "Deixa o coração ter a mania de insistir em ser feliz. Se o amor é o corte e a cicatriz, pra quê tanto medo?" (Marisa Monte)

PS: ² Tenho trauma de galinha choca. É como se colocassem uma arma na minha cabeça. Juro!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates Brasileiro




Domingo de futebol. De final. De alegrias. E a morte nos faz mais uma falseta e leva o maior democrata do futebol brasileiro. Inteligente, fez jus ao seu nome: Sócrates. Idealista, sonhador e democrata, ele fez jus ao nome: Brasileiro.

Agora me vem à cabeça parte de um poema do piauiense Ramsés Ramos, mas não me vem completo, não consigo lembrá-lo por inteiro, nem com exatidão, mas lembro que diz mais ou menos: ‘com que direito dizemos da morte que ela é um triste acontecimento? Que diria de nós a vida após termos aproveitado todos os seus banquetes?’ segundo Ramsés, a morte deveria ser vista como um encontro marcado. E quem sabe não fosse belo?

Enfim, fica a história, o bom futebol e a certeza de que o futebol teve um homem de caráter entre tantos que faziam e fazem de tudo por um lugar ao sol. Sócrates, democrata, brasileiro e sonhador, deu as costas ao lugar e ao sol da facilidade. Falou contra militares, pregou eleições diretas e foi um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Dos maiores ídolos do Corinthians.

Fica a história. Os toques de calcanhar. O caráter. O bom futebol. A luta pelas democracias brasileira e corintiana. Fica a certeza de que o futebol teve um homem de verdade.

Dos que não vi jogar, Sócrates era um dos melhores. Dono dos melhores e polêmicos comentários da TV. O Doutor do “Cartão Verde”.

PS: "Todos o conheciam por seu diploma de medicina e porque também tinha muitos interesses culturais e sociais. Em suma, era sob todos os pontos de vista um atípico." (Paolo Rossi)