segunda-feira, 27 de junho de 2011

Minha musa



“Eu te chamo, você quer ir pro cinema.” Peraí! Ficou meio sem sentido. Deixa, deixa eu dizer: Eu a chamo pra ir à praça ou a um barzinho, no entanto, ela prefere cinema. Eu reclamo, mas antes que ela fique descontente, eu acato. Que seja! Vamos ao cinema.

Minha musa é assim. Ora triste, ora muito alegre. Chapliniana, sabe? Entre o riso e a lágrima. Pior é que ela insiste em me deixar feito música do Paulo Ricardo: Entre ‘A cruz e a espada’.

Agora sim. “Eu te chamo, você quer ir a um restaurante japonês.” Deixa, deixa eu dizer: Eu a chamo pra comer carne de sol, tomar cajuína, entretanto, ela prefere comida japonesa. Reclamo, mas antes que ela fique descontente eu vou.

Minha musa é assim: Tem hora que é samba de carnaval, alegre e empolgante, mas tem dia todinho que parece poema do Torquato Neto, triste, solitária e implorando compreensão.

Minha musa é alegre, mas ama o silêncio, o cinema, a comida japonesa, a roupa da moda.

Minha musa é de cidade pequena, bucólica, mas parece filme do Torquato Neto: ‘Do paraíso ao consumo’. Saca?

Minha musa gosta de lojas de roupas caras. Eu reclamo, porém ela diz que seus vestidos estão ficando demodé e antes que ela descontente, eu mando passar o cartão. E até quem me vê lendo o extrato bancário, na fila do Santander, sabe que eu a encontrei.

Minha musa é moderna e eu, segundo meus amigos, um tolo apaixonado. Eu nem reclamo disso. Acho redundante. Ora, e existe apaixonação sem tolice?

P.s.: “[...] Só quero saber do pode estar perto [...] Eu só quero estar certo de que você vai estar perto [...]” (Edwar Castelo Branco)

domingo, 26 de junho de 2011

Texto desentranhado de um microconto da Cyntia

“Não se sabia se insistente ou obediente: foi até a esquina, ver se ele estava lá. Ninguém a viu voltar.” (Cynthia)




Foi ser feliz. Sem dizer adeus, muito menos quando voltaria. Deve ter cansado de esperar. Depois de acordar e perceber que seus braços passeavam pela cama vazia, ela cansou de esperar.

Dizem que perdeu a razão. Poucos sabem, porém, ela foi ser feliz cheia de razão e emoção.

“Dane-se!”, teria dito ao lembrar-se de quando lhe disseram que é praticamente impossível ser sábio quando se está apaixonado ou desapaixonando.  Foi ser feliz certa de que a emoção e a razão podem ocupar a mesma pessoa ao mesmo tempo.

Foi ser feliz e não voltou. Cyntia é que não quis dizer, mas eu sei, todos sabem. Ela não disse adeus e nem quando voltará. Se é que voltará.

Dizem que ela entrou num táxi, foi pro aeroporto e pegou o primeiro avião com destino à felicidade. À felicidade!

            PS: “E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz.” (Chico Buarque)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Três da Madrugada!



Sabe, à essa hora os jornais estão sendo impressos, os amantes estão cansados e eu deveria estar dormindo e evitando tanto gerúndio, mas, infelizmente, não tenho sono. E eu sei que preciso dar um jeito na minha vida ou comprar uma cajuína. Pena que os bares estão fechados e não tenho onde comprar cajuína neste exato momento.

Mas veja só. Aconteceu, e eu não percebi e você nem se deu conta a tempo e tudo foi se desgastando aos poucos. Quando demos por nós já era sem tempo e como você mesma disse "- É chegada a hora de seguirmos a nossa vida de algum jeito e buscarmos a realização de nossos sonhos em outras pessoas." Frase que você leu em um dos meus textos e aprimorou pra nossa vida.

Eu sempre pensei que este sofrimento por amor pertencia aos outros e que nunca aconteceria comigo. Eu sempre pensei que o Soneto de fidelidade não mereceria jamais fazer parte dos meus textos preferidos. Puto engano. Se tivesse visto tal 'sonetinho' saberia que antes de tudo, deveria ser atento ao meu amor. Ao amor por você.

Agora que nada há de se ajeitar, eu só peço que você pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã. Eu só peço que você leve em consideração as coisas boas que houve entre nós dois.

Não te peço pra esquecer o que eu fiz ou fizemos de ruim, mas saiba que foi bom até onde ficamos juntos e não é justo que tudo vá por água abaixo e caia no esquecimento. Os erros são incomparáveis ao que houve entre nós. Ah, as travessuras que pareciam eternas... Que crianças fomos nós!

“Não quero a razão, pois sei o quanto estou errado”.

Sei que não sou merecedor de perdões e que minhas loucuras jamais convencerão tua sanidade ou tua razão. Espero que sejamos cordiais e que não fiquemos com caras de bobos sempre que nos encontrarmos por aí.

Sabemos das coisas que te fizeram bastar tudo isso. Mas sabemos também das coisas e das causas que nos fizeram iniciar tudo e por isso, mais uma vez, peço que as coisas boas da vida e de nós dois não sejam esquecidas.

Eu sei e você sabe que de nada adianta eu repetir Vinícius de Moraes ou Chico. Mas esse Chico Buarque é inevitável, portanto, 'Pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã'...

Leve com você apenas as coisas boas. Sem ódio, nem rancor. E que seu caminho seja tudo de bom. Não me leve a mal. E pense sempre nas coisas boas que houve entre a gente. Eu vou levando. Eu vou esquecer aos poucos.

Agora não me adiantará muito lamentar a dor. Lembrarei sempre de tudo o que foi bom. As quedas ensinam muito e eu vou aprender com os erros e buscar os acertos que você tentava me ensinar e mostrar.

E se de tudo fica um pouco, por que não ficaria um pouco de mim em você ou um muito de você em mim? Lembre-se sempre de ouvir aquele CD do Chico. E que possamos, enfim, realizar nossos sonhos.


PS: “[...] Triste madrugada, tudo e nada, a mão fria, a mão gelada toca bem de leve em mim. Saiba, meu pobre coração não vale nada. Pelas três madrugada!" [...] (Torquato Neto)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Esse moço tá diferente!






Cristina estava certa. Carlos mudou demais. Já não era mais romântico como nos tempos de antigamente, quando a levava pro ‘Ar Livre’ e saia dizendo que iria fazer uma ligação ou iria ao banheiro e voltava com flores. Carlos gostava de levá-la ao ‘Ar Livre’ porque era perto das floriculturas e ele gostava de comprar flores pra ela.

Mas o Carlos mudou demais. Antes, a levava duas ou três vezes por mês pro ‘Ar Livre’. Freqüentava restaurantes legais, mas gostava mesmo era de ir lá. Mas o Carlos mudou de uns tempos pra cá e não se interessava em levar Cristina nem mesmo pra comer espetinho na principal do Dirceu.

“Mermã, aquele traste não me leva mais pra lugar nenhum”, comentou Cristina com uma amiga. Pior de tudo é que Cristina não fazia a menor idéia de como explicar tal mudança.

Sabia apenas que ele mudou. Nunca mais comprou chocolates na ‘Cacau Show’, bem ali no shopping. Ele começou a comprar bombom caseiro e olhe lá. Não que ela tivesse algo contra bombom caseiro, até porque não era muito chegada nesse negócio de querer luxar, até gostava dos bombons. Problema é que esse tipo de mudança evidenciava o fim do romantismo. Ou até mesmo do amor.

Nos tempos da fase romântica, o Carlos era puro carinho. Cinema, restaurantes, mãos dadas, mas hoje é diferente. Mudou demais. Não tem quando dizem que uma pessoa ‘mudou da água pro vinho’? Pois o Carlos mudou do bombom da ‘Cacau Show’ pro bombom caseiro. Mudou demais.

Começou a dizer que mão dada era piegas. Como assim? Se antes ele morria de raiva de quem chamava romantismo de piegas?! Tinha algo muito errado. Carlos mudou demais. Cristina estava preocupada. Tensa, até pensou que tivesse feito algo muito errado.

Mas o quê? Perguntou-se. Ora, tem pra mais de dois meses que o Carlos ficou diferente, se fosse com ela já teria dito. Carlos mudou demais.

“Mermã, tu acha que ele tem é outra? Tu sabes que ele vivia de dizer que coração de boêmio não tem dona.”, disse uma de suas melhores amigas.

Cristina não sabia. Sabia apenas que o Carlos mudou demais. Começou a implicar com seus pais, dizer que a sogra pegava muito no seu pé. “E olha que a gente nem casado é”, dizia ele.

Pra surpresa e infelicidade de Cristina, Carlos mudou demais. Sem razão aparente.

Um dia, Cristina resolveu segui-lo. Ficou surpresa. Chocada. Jamais pensou que ele fosse capaz de fazer aquilo. “Sem vergonha!”, pensou.

Voltou pra casa. Triste, desiludida e sem saber se terminaria com ele. Carlos mudou demais e agora Cristina sabia o porquê. Enquanto voltava pra casa pensava no que fazer. Terminar ou esperar que ele tome rumo?

Carlos mudou demais e apenas Cristina sabia o porquê. Voltou pra casa. Triste e sem saber o que fazer. E com vergonha de contar o que vira. Não contou nada a ninguém. ‘E nem contarei’, disse baixinho, pra si mesma.

Carlos mudou demais. “Aquele traste”, gritou, sem querer, ao chegar em casa, bem na hora em que todos jantavam. Subiu. Com vergonha por ter gritado, mas mais envergonhada ainda com o que vira.

domingo, 19 de junho de 2011

Te cuida






Chegou cedo. Meia hora antes do combinado. Era a primeira vez que terminaria um relacionamento tão sério. Esperou que ela chegasse. E pediu uma cerveja. No som do bar tocava Chico Buarque: “Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim um grande amor... Mentira!”. Estava aos prantos (por dentro).

Enfim, ela chegou. Pontualíssima e surpresa por encontrá-lo à sua espera. É que ele tinha a terrível mania de chegar atrasado a todos os compromissos. Quanto tudo ainda estava bem e eles falavam em casamento, ela sempre dizia que ele chegaria depois dela.

Mas ele não atrasou. Não dessa vez. Estava lá. Sentado e aos prantos (por dentro) e morrendo de pena dos dois.

“Todo fim infeliz não deixa de ser um sinal de incompetência.” Pensou ele. Aprendeu isso com um amigo, numa farra em que o tal amigo comemorava por ter esquecido a ex-amada.

Ela sentou e pediu uma dose de Campari. Ele riu. Não entendia como alguém poderia gostar daquilo.

E ele, enfim, pôs-se a falar. Pensou em terminar com um simples “te cuida”, como ensinou Martha Medeiros, mas mudou de idéia. Tantos planos e sonhos não poderiam terminar com um simples te cuida. Por isso, aliás, é que ele a chamou pra conversar. Quereria explicar melhor o porquê do fim. Não queria ser o covarde que terminou por telefone, depois de uma briga. Por fim, pôs-se a falar:

- Olha, - disse aos prantos (por dentro) - posso não saber o que se passa em seus pensamentos ou em seu coração. Eu não leio corações, muito menos pensamentos. Leio poesias, cartas e teu olhar de não querer mais.

- Eu quero que saiba – aos prantos (a ponto de externar) - que nessa baixura do campeonato pouco importa o que podemos sentir.  Sabe, eu vi teu olhar de não querer mais, de não amar mais. Eu vi.

- Eu fiz, e você sabe, fiz tudo pra evitar seus ciúmes. Sem festas, sem farras, sem bares com os amigos, mas não deu e nessa baixura do campeonato pouco importa. Eu vi, eu li teu olhar de “adeus, vá pra não voltar!”. - Disse aos prantos, na frente de todos no bar e morrendo de pena dos dois.

- Eu quis e você sabe, sabe tão bem quanto eu, que eu fiz o que pude e o que você quis, mas nessa baixura do campeonato pouco importa. Veja, leia meu olhar de quem tem coração que não se contenta mais com as tuas reclamações. - Disse aos prantos e soluços e morrendo de pena dos dois.

De repente, silêncio. Depois, cumprimentos frios e tristes. Um quase “Adeus, e dessa vez é pra valer”.

Ela o olhou e antes de sair teve ação apenas pra dizer: “Te cuida!”.

PS: “[...] Não chore! Eu quero, eu posso, eu fiz, eu quis [...] Seja feliz! [...]” (Torquato Neto).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quase uma "Canção da despedida"

"E hoje estou de volta à vida, aos amigos, aos sorrisos..." (Leoni)


Quer saber? Desisto. Nada de esperar ela voltar ou a banda passar. Não tem mais sonho. Vou sair do tapete atrás da porta e correr pra sala de estar. Nem açúcar, nem afeto.


Pensei. Esperei. Quis de todas as maneiras, no entanto, não quero mais. Não vou esperar ela voltar. Nada de esperar a banda passar. Nada de completar os mil perdões. Agora vou em frente e que meu coração enfrente o que vier pela frente.

Já passou a lua cheia. Basta um dia e ela vai me seguir. Levarei nos pensamentos sua formosura. Terei noites felizes nas minhas festas juninas e no Natal. Farei o meu ano novo. E irei de encontro ao meu carnaval. Até pensei em levar o retrato preto e branco, mas outra vez começou uma canção desnaturada e é melhor seguir à toa. Sem nada nas mãos, como dizia Pessoa.

Farei um soneto sob medida. Farei um dueto. Farei uma viagem, mas antes, mulher, eu vou dizer o quanto te amo. Essa valsa brasileira tá ruim. Eu quero um samba. Quero um chorinho. Quero você. Mas não vou esperar. Nem esperar a banda passar.

Vou eternizar para todos que ainda te amo. Vou eternizar para todos que não te espero mais. Agora começou uma canção inédita e ainda sinto teus seios em minhas mãos.

Farei um soneto sob medida. Farei um dueto. Farei uma viagem, mas antes, mulher, eu vou dizer o quanto te amo. Vou dizer o quanto disse palavras como se fosse a primeira vez.

Vou jogar fora as cartas. No retrato preto e branco estamos felizes, sabia? A banda vai passar e não saí daqui. E se ela voltar. Digo o quê? Faço o quê? Fujo pelas tabelas, pois se ficarmos mano a mano ela me perdoa e completa os mil perdões. E de nada valerão tantas palavras.

P.s: E como bem canta Leoni “[...] Nessa viagem, quase cego, eu te seguia e fazia quase tudo pra agradar. Eu tentava acreditar que isso é que era amor, eu estive tão doente, agora, já passou. E hoje estou de volta à vida, aos amigos, aos sorrisos, sob o sol. Pra você, essa é a canção da despedida [...]”

domingo, 12 de junho de 2011

Feliz dia de quê?



Feliz natal... E um próspero carnaval, pessoal! Ih! Pensei que hoje fosse 15 de outubro.

Não! Hoje é o dia da tampa e da panela. Das metades da laranja, das metades do limão... É o dia de mandar chocolates, flores, beijinhos, beijinhos (tchau, tchau não) e é dia também de mandar até uns bilhetinhos com declarações daquelas bem fervorosas. Não. Hoje não é dia de Maria, hoje, segundo a minha vizinha fofoqueira, é o dia dos namorados.

É o dia em que o sujeito vai à casa da amada e a leva pra um jantar a sós. Jantar à luz de velas, (aqui em Teresina, jantar à luz de velas tá é manjado, até porque a companhia energética daqui valoriza esse tipo de coisa), pois bem, hoje é dia de beijos, bombons, carinhos... Boas e más intenções e muita imaginação.

Dia de esquecer o Palocci, a Dilma, o Lula, a Libertadores, o Vasco, o Ronaldo Fenômeno.

Hoje é dia de Eu te amo. Trocando em miúdos, chame-a pra uma valsinha e vai levando... Vai dançando como fosse nos anos dourados.

PS: Hoje é domingo, dia dos namorados, no entanto, se você está solteiro, não tem problema. Diz-se que a noite é dos solteiros, ou seja, caia na gandaia, na farra, onde você quiser. Quem sabe no próximo ano cê vai comemorar o dia dos namorados namorando?!.

sábado, 11 de junho de 2011

No tapete, atrás da porta!


Se ela perguntar por mim, diz que estou no tapete atrás da porta, esperando um novo perdão e pensando no filho que queríamos ter. Qualquer canção que ela quiser vai embalar nosso repertório.

Ah! Estou no tapete atrás da porta com um livro de filosofia a pensar no filho que queríamos ter. Se possível, peça que ela me olhe nos olhos e complete logo os mil perdões.

Estou no tapete atrás da porta com todo o sentimento do mundo, com todas as intenções do mundo, afinal não existe pecado do lado de cá do Brasil.

Avisa pra ela trazer lenços, pois vou fazer mais uma daquelas doces e verdadeiras declarações de amor que sempre faço. Ah! Pode avisar que aquele beijo ainda está em minha camisa. O batom que ela usa parece tatuagem.

Diz que estou no tapete atrás da porta e eu vou pedir perdão e ela precisa dizer sim, pois só vence na vida quem diz sim. Já comprei o CD do Chico Buarque e tem mais samba.

Estou no tapete atrás da porta, ouvindo o Samba da Rosa, o Samba da benção e lendo uma notícia de jornal. O meu desalento já não tem mais fim. Pode avisar que já estou começando a chorar.

O Soneto de Fidelidade já é meu texto favorito. Eu aprendi direitinho o que o mestre Vinícius ensinou e agora, "de tudo, ao meu amor serei atento, antes..."

Espero por ela ainda hoje, pois do amanhã nada se sabe. Diz pra ela esquecer e que não foi por querer.

Estou no tapete atrás da porta a pensar sobre todas as coisas. Imagina. Já estou a ler as cartas que deveria ter jogado fora. Não há neste mundo ou em qualquer outro um ser mais sentimental que eu.

O tapete já não suporta minhas lamentações, e agora, no tapete atrás da porta, penso no romance que juramos eternizar para todos. Começou a tocar o samba do grande amor. E ela ainda não veio.

Foi o sol, veio a chuva, foi a valsa brasileira, veio o samba do grande amor. Foi-se a esperança, veio a dor, foi o amor, veio uma canção desnaturada.

Ela desatinou. Restou só o desencontro. Um retrato em preto e branco. Até pensei que ela viria, mas parece que não vai mais voltar. Será que ela volta? Ela não tem a malícia das outras mulheres. Ela ainda gosta de mim. Não faço outra vez.

Avisa que estou no tapete atrás da porta, a ouvir já não sei o quê. Foi o riso. Veio um chorinho.

Ah! Estou no tapete atrás da porta ouvindo chorinho. Diz que quando o carnaval chegar, eu vou fazer sob medida uma feijoada completa. O samba do grande amor voltou. Em seguida veio todo o sentimento. Olhei a foto em preto e branco e chorei um sonho de carnaval.

Será que ela volta? Ela é dura na queda. Estou no tapete atrás da porta a esperar por ela.

p.s.: Sim, vai. Vai e diz que eu tô precisando daquela segunda chance, pela milésima vez.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Conversa no Boteco'


Garçom, traz uma cachaça pra ver se passa a escuridão - Porra de vida!

Eu disse foi muito. Faltei foi ficar doido de tanto falar pra ela e pros outros do meu amor. Repetia feito um disco furado que se ela me desse uma segunda chance, pela milésima vez, eu a amaria infinitamente enquanto durasse. Dizia também, que era bom me dar logo uma chance, porque se não mais tarde já ia ser era tarde.

Tu tinhas era que ver, eu ficava lá na praça ou num banquinho da Av. Frei Serafim com ela e pedia desculpas, ela me olhava, fazia pouco e dizia: "Não tem quem faça acreditar em ti. Tu num vale muito não. Pensa que eu num vejo teu jeito com aquela menina do ônibus?"

Aí eu ficava mais doido ainda, porque não sabia que jeito era esse. Até em mensagem de celular ela falou. Falou em uns domingos à noite, quando me viu por aí com 'a menina do ônibus'... E falava desconfiada de mim. Logo eu, que sou um anjo, um santo, um querubim, um príncipe. Olha, num é por que eu tô na minha frente não, mas eu tenho pra mim que Francisco de Assis perto de mim é ateu e herege.

Ela vinha com umas conversas esquisitas, mas sempre terminava na mesma. Sempre terminava dizendo que não dava mais certo, por que eu já não era tão digno de confiança.

Aí, de uns dias pra cá eu resolvi mudar. Mandei catar coquinho e esbravejei e repeti feito disco furado que qualquer relacionamento resiste a tudo, menos à desconfiança. E se ela já não confiava em mim, então era hora de partir pra outra. Ir à luta. Por que mulher tem é muita. Fui! Mesmo sabendo que o problema é que nenhuma é a que tá no coração da gente. Mas eu já tava era decidido.

E agora, que eu já tava quase no ponto de esquecimento, ela me aparece...

Sabe o Geraldo Azevedo? Então, ele canta algo que é mais ou menos assim: "Dona da minha cabeça, ela vem como um carnaval e toda paixão recomeça...". E foi foi assim mesmo. Veio como um carnaval, fazendo folia em meu coração. Barulho em meus pensamentos... Ela me vem como um vício. Já tava quase em ponto de esquecimento aí ela me aparece pra me oferecer mais... Até perdão ela me ofereceu esses dias. Mas eu tô é forte. Tem uma amiga me dando forças e eu tenho pra mim que em dois tempos eu vou esquecer essa foliã que me aparece como carnaval.

PS: Não tem carnaval... Nem páscoa. O tempo é outro. Problema é se ela me aparecer como festa junina... Aí eu tô é frito.

Garçom, a conta, por favor!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ando tão à flor da pele III






Ela sabe tão bem quanto eu qualquer coisa sobre o amor. E se eu sofro mais do que ela é por que eu sou mais sentimental que Zeca Baleiro vendo beijo de novela.
Cada vez que era pra ser e não foi, eu deixo passar. Sim, eu ando tão à flor da pele que qualquer música do Leoni me faz pensar em chorar. Mas tá tudo bem, ninguém é mais sentimental que eu.
Eu parei de beber e de andar em más companhias. Agora só ando só e bem acompanhado com a minha solidão.
Não tem problema nenhum. Qual o problema se eu andar maltrapilho e maltratado? Nenhum.  Ando dando beijos em retratos e retratando as minhas dores em blocos de notas. Nota zero pra mim.
Ninguém tem nada a ver, mas eu tenho andado tristinho, mais solitário que a modelo magrela nas passarelas do Piauí Center moda. Fazer o que se ela acha que errou na dose e no amor?
Tenho pra mim que essa notícia precisa de exatidão.  Ninguém notou e nem notaria, afinal, a dor da gente não sai no jornal.  E meu coração? Como bem cantou Chico Buarque, “é um pote até aqui de mágoa e qualquer desatenção pode ser a gota d'água”.
Tenho pra mim que isso tá é enfadonho e triste. Qualquer dia desses vai parecer um CD do Oswaldo Montenegro. Coisa de causar depressão até em Prozac.
PS: “Ela tinha um defeito que brigava, embora com ou sem razão...” (Lupcínio Rodrigues)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quereres!



Vontade de não sei quê!
Ir alto sem saber levantar vôo!
Eu vou! Mas não vôo!
Vontade de me perder.

Vontade de pedir de volta
O amor que eu dei
Vontade de ter sorriso no rosto
De fazer carnaval da minha tristeza.

Ser menos frio
Ser mais trio
Não ser sozinho.

Não há ser mais sozinho
Só eu.
Sou eu.
Só eu sou eu.

Vontade de sumir
Ir pra algum lugar
Ir além do quarto.
Além do quarto copo.

Vontade de silêncio.
Necessidade de barulho.
Vontade de ser mais que meu dinheiro
Fazer mais amigos que meu dinheiro.